quarta-feira, 7 de junho de 2006

A podridão da Revista Veja

Altamiro Borges* Finalmente, o presidente Lula resolveu polemizar com a asquerosa revista Veja, o que ajuda a combater as ilusões na pretensa neutralidade da mídia. Na sua última edição, esse panfleto fascistóide o acusou, sem qualquer prova, de possuir contas secretas no exterior. De imediato, Lula protestou: "A Veja não traz uma denúncia, ela traz uma mentira. A Veja tem alguns jornalistas que estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu só posso considerar isso um crime. Eu não posso comparar isso a jornalismo. Não acredito que dentro da Veja tenha uma única pessoa com 10% da dignidade e da honestidade que tenho". Revelando seu cansaço diante das leviandades desta revista, Lula atacou: "Não posso admitir isso. É uma ofensa ao presidente da República, ao povo brasileiro e eu acho que essa prática de jornalismo não leva o país a lugar nenhum. A Veja vem assim já há algum tempo, não é de hoje não. Mas ela chegou ao limite da podridão da imprensa. Não sei se um jornalista que escreve uma matéria daquela tem a dignidade de dizer que é jornalista, ele poderia dizer que é bandido, mau-caráter, mau-feitor, mentiroso. Os leitores pagam a revista, são induzidos a assinar e não merecem a quantidade de mentiras que a Veja publica". A reação do presidente é compreensível; ele até que foi muito tolerante com sua postura de "lulinha paz e amor". Desde a sua posse, a revista Veja se tornou o principal veículo da oposição de direita no país. E a cada edição, conforme se aproxima a eleição presidencial e seu candidato não decola, ela fica ainda mais raivosa e mentirosa. Na edição anterior, chegou a estampar a foto do presidente com a marca de um chute no traseiro e a chamá-lo de "bobo da corte". Antes, havia levado o postulante Antony Garotinho à greve de fome ao estampar a sua foto com chifres de diabo numa manobra sórdida para evitar que ele ultrapasse o candidato da oposição liberal-conservadora, Geraldo Alckmin. Agora, agride novamente o presidente. As edições são produzidas meticulosamente com objetivos político-eleitorais. A manipulação tem como alvo principal as oscilantes camadas médias da sociedade. No caso do episódio da Bolívia, esta sucursal do governo dos EUA visou implodir a integração latino-americana. Para Gilberto Maringoni, ácido crítico da mídia, "a Veja, nessas horas, supera qualquer parâmetro racional. Desejosa de fracionar a aliança entre governos que rejeitaram a Alca e que tentam outro tipo de integração, não subordinada a Washington, irá espernear cada vez mais". Já o jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, conclui que a Veja é "um caso clássico de fascismo que nossa imprensa - apesar das mazelas - não merece exibir". Ninho tucano O ódio da revista Veja contra o governo Lula e as esquerdas em geral têm vários motivos. O primeiro é o de classe. A Editora Abril, que faz parte do restrito clube das nove famílias que dominam a mídia no país, defende com unhas e dentes os mesquinhos interesses da poderosa burguesia - nacional e estrangeira. Ela não tolera a hipótese de um dia perder os seus privilégios de classe. Teme qualquer acúmulo de forças dos setores populares. Nunca engoliu a chegada ao Palácio do Planalto de um ex-operário, ex-sindicalista, ex-grevista. Como afirma o teólogo Leonardo Boff, é um problema de "cultura de classe". Não é para menos que ela sempre teve relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita. Afora os possíveis apoios "não contabilizados", que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, a Editora Abril doou, nas eleições de 2002, R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, depois utilizado pelo próprio PT. O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) ainda lembra que Alberto Goldman foi relator, no governo FHC, da Lei Geral de Telecomunicações, que permitiu investimentos externos na mídia. "A Abril possuía uma dívida líquida, em 2002, de R$ 699 milhões. Em julho de 2004, fundos de investimento da Capital International Inc se associaram ao Grupo Abril, beneficiando-se da lei relatada por Goldman". Estes e outros episódios revelam as afinidades político-partidárias dos donos da revista e ajudam a entender a sua fúria. Interesses alienígenas Mas as ligações da Veja são ainda mais sombrias. Hoje ela serve aos interesses das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tem dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril - Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira adquiriu 13,8% das ações da Editora Abril, numa operação viabilizada pela emenda constitucional já citada, sancionada por FHC em 2002, que resultou na injeção de R$ 150 milhões na empresa. Com tamanho poder, a ingerência externa na linha editorial é inevitável! A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner. Ainda segundo Gustavo Barreto, "a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan - a mesma que calcula o chamado ‘risco-país’, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país ‘honrar’ os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas - detentores das debêntures (títulos da dívida) - da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e antimovimentos sociais". Pressão da sociedade A indignada reação do presidente Lula contra mais uma leviandade desta revista talvez ajude a dinamizar a campanha, lançada no Fórum Social Brasileiro em 2003, sob o lema "Veja que mentira". O impulso foi dado: "Isso é crime. Não posso comparar isso a jornalismo. Os leitores pagam a revista, são induzidos a assinar e não merecem a quantidade de mentiras que a Veja publica", afirmou. Seria um bom momento para a imprensa sindical, com seus 7 milhões de exemplares mensais, engrossar a campanha. Também seria a oportunidade para que o cidadão ou a entidade ingresse com processos jurídicos contra a revista. Por muito menos, a Justiça Eleitoral proibiu a circulação do jornal da CUT com denúncias contra Geraldo Alckmin, num nítido atentado à democracia. Porque não aprender as edições caluniosas e manipuladoras deste panfleto fascista. A batalha é dura, mas não é impossível. Como lembra José Arbex, autor do livro "O jornalismo canalha", o MST já mostrou que isto é plausível, ao ganhar em primeira instância um processo contra a Veja, que em maio de 2000 trouxe na capa o título terrorista "A tática da baderna". Não dá mais para silenciar diante dos abusos da Editora Abril, que se sente acima do Estado de Direito, da democracia e da sociedade civil. A omissão é quase um atestado de culpa. O mesmo vale para muitos jornalistas que, por necessidade material ou puxa-saquismo, renegam a sua formação profissional e ética. Como afirma Renato Rovai, editor da revista Fórum, "esse jornalismo farsante e sangue-azul da Veja não atenta apenas contra os valores da democracia e da ética profissional... Ele expõe ao ridículo a imprensa enquanto instituição e o jornalismo como profissão. Os profissionais mais jovens até merecem desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão". * Jornalista, editor da revista Debate Sindical

sábado, 3 de junho de 2006

A soja na Amazônia

Bom, eu vou postar uma reportagem do Fantástico - sim, parece mentira! - que trata do assunto da soja invadindo a Amazônia. Vale muito a pena ver!! Fantástico: a soja na Amazônia E até mais!

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Execuções

Pois é... Mais um pouquinho desta estória triste.

Execuções

Ouvidoria da Polícia quer investigação de grupos de extermínio Ouvidoria quer apuração de cinco casos de assassinatos na Grande São Paulo cometidos por elementos encapuzadas que podem pertencer às corporações policiais. A solicitação foi feita às corregedorias das polícias Civil e Militar. Negando saber da existência de esquadrões da morte em SP, ouvidor deve avaliar caso de policiais com camiseta da escuderia Le Cocq. Verena Glass - Carta Maior São Paulo – As denuncias da ação de supostos grupos de extermínio formados por policiais em São Paulo levou a Ouvidoria da Policia do Estado a solicitar, nesta segunda (22), que o IML priorize a perícia de 12 corpos, vitimas de cinco ataques executados por homens encapuzados portando armamentos pesados. Por não terem os autores conhecidos, os casos não estão na lista dos laudos solicitados pelo Ministério Público, que avaliará apenas aqueles onde há comprovação de autoria de policiais. O ouvidor Antonio Funari Filho também solicitou às corregedorias das polícias Civil e Militar que abram inquéritos em suas corporações para investigar os casos. Concretamente, segundo Funari, o que existe por enquanto são apenas “cinco denúncias de casos concretos de violência covarde”, cometida por “elementos usando máscaras ninja e portando armamento pesado” no Jaçanã, em São Mateus, em Guarulhos, no Parque Bristol e no Parque São Rafael. Mas existem indícios de que há envolvimento de policiais nessas ações, principalmente por conta do armamento usado, afirma Funari. Nesta segunda, o ouvidor também se reuniu com o secretário de Segurança do Estado, Saulo de Castro Abreu Filho, e solicitou a intervenção de policiais especializados em crime organizado para inibir a “organização de outros criminosos, policiais ou não”. Escuderia Le Cocq A presença de dois homens vestindo camisetas com os dizeres “Scuderie Detetive Le Cocq, esquadrão da morte, Brasil” em uma audiência na Assembléia Legislativa no último dia 16 ainda não foi investigada pela ouvidoria, que teria recebido informações que ambos eram agentes penitenciários e, portanto, objetos para a ouvidoria penitenciária. De acordo com o depoimento à Carta Maior de um jornalista (que preferiu não ser identificado) e que conversou com um dos rapazes, porém, os dois são policiais. “Um deles disse que a camiseta era apenas uma brincadeira e não quis conversa, mas o outro confirmou que havia um movimento na polícia de organização de um novo esquadrão da morte, não como o que agia durante o período da ditadura militar, mas algo parecido. Segundo o policial, que disse ter 24 anos e estar há quatro na corporação, não adiantaria esperar autorização dos superiores para vingar a morte dos policiais assassinados pelo PCC”. Segundo o jornalista, a impressão que teve é que “são jovens com muita raiva, que se sentem excluídos e sem proteção, abandonados pelos chefes e que querem assumir por conta própria o fazer justiça pelos colegas". Afirmando desconhecer a existência ou a organização de esquadrões da morte ou de extermínio em São Paulo nos últimos anos, o ouvidor Antonio Funari disse que poderá averiguar o policiais a partir desta denuncia. Como a ouvidoria só atua em casos de denuncia, Funari pede à população que encaminhe ao órgão qualquer indício de execução possivelmente cometida por policiais através de sua pagina eletrônica, www.ouvidoria-policia.sp.gov.br .

segunda-feira, 22 de maio de 2006

A matança dos suspeitos

Triste, muito triste. Ah, só completando: dêem uma olhadinha no blog do Ferrés. Ele tem outras informações do caso, e foi até ameaçado de morte por postá-las. A matança dos suspeitos Fonte: Carta Maior - 17/05 Já que não temos justiça, por que não nos contentar com a vingança? Os meninos pardos e pobres da periferia estão aí pra isso mesmo. Para morrer na lista dos suspeitos anônimos. Para serem executados pela polícia ou pelos traficantes. Maria Rita Kehl* Vamos falar sério: alguém acredita que a rebelião do PCC foi controlada pela polícia de São Paulo? Vejamos: as autoridades apresentaram aos cidadãos evidências de que pelo menos uma parte da poderosa quadrilha do crime organizado foi desbaratada? O sigilo dos celulares que organizaram, de dentro das prisões, a onda de atos terroristas no estado de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, etc, foi quebrado para revelar os nomes de quem trabalhou para Marcos Camacho, o Marcola, fora da cadeia? Qual foi o plano de inteligência posto em ação para debelar a investida do terror iniciada no último final de semana? Alguém acredita que “voltamos à normalidade?” Ou se voltamos – pois a vida está mais ou menos com a mesma cara de antes, só um pouco mais envergonhada: de que normalidade se trata? Uma normalidade vexada: uma vez constatada a rapidez com que os capitalistas selvagens do tráfico de drogas desestabilizaram o cotidiano do estado mais rico do Brasil, não dá mais para esconder o fato de que nossa precária tranqüilidade depende integralmente da tranqüilidade deles. Se os defensores da lei e da ordem não mexerem com seus negócios, eles não mexem conosco. Caso contrário, se seus interesses forem afetados, eles põem para funcionar imediatamente a rede de miseráveis a serviço do tráfico, conectada através de celulares autorizados pelo sistema carcerário (que outra explicação para a falta de bloqueadores e de detectores de metal nos presídios?) e toleradas pelo governador de plantão. No caso, o mesmo governador que, na hora do aperto, rejeitou trabalhar em colaboração com a Polícia Federal e, horas depois, negou ter feito acordos com os líderes do PCC. Segunda feira, nos telejornais, o governador Lembo nos fez recordar a retórica autoritária dos militares: nada a declarar além de “tudo tranqüilo, tudo sob controle”. E quanto aos oitenta mortos (hoje são 115), governador? Ah, aquilo. Bem, aquilo foi um drama, é claro. Lamento muito. Mas pertence ao passado. A falta de transparência na conduta das autoridades e a desinformação proposital, que ajuda a semear o pânico na população, fazem parte das táticas autoritárias do atual governador de São Paulo. Quanto menos a sociedade souber a respeito da crise que nos afeta diretamente, melhor. Melhor para quem? Na noite de segunda feira, quando os paulistanos em pânico tentavam voltar mais cedo para casa, vi-me parada ao lado de uma viatura policial, em um dos muitos congestionamentos que bloquearam a cidade. Olhei o homem à minha esquerda e, pela primeira vez na vida, solidarizei-me com um policial. Vi um homem humilde, desprotegido, assustado. Cumprimentou-me com um aceno conformado, como quem diz: fazer o que, não é? Pensei: ele sabe que está participando de uma farsa. Uma farsa que pode lhe custar a vida. De repente entendi uma parte, pelo menos uma parte, da já habitual truculência da polícia brasileira: eles sabem que arriscam a vida em uma farsa. Não me refiro aos salários de fome que facilitam a corrupção entre bandidos e PMs. Refiro-me ao combate ao crime, à proteção da população, que são a própria razão de ser do trabalho dos policiais. Se até eu, que sou boba, percebi a farsa montada para que a polícia fingisse controlar o terror que se espalhava pela cidade enquanto as autoridades negociavam respeitosamente com Marcolas e Macarrões, imagino a situação do meu companheiro de engarrafamento. Imagino a falta total de sentido do exercício arriscado de sua profissão. Imagino o sentimento de falta de dignidade destes que têm licença para matar os pobres, mas sabem que não podem mexer com os interesses dos ricos, nem mesmo dos que estão trancados em presídios de segurança máxima e restrições mínimas. Mas é preciso trabalhar, tocar a vida, exercer o trabalho sujo no qual não botam fé nenhuma. É preciso encontrar suspeitos, enfrentá-los a tiros, mostrar alguns cadáveres à sociedade. Satisfazer nossa necessidade de justiça com um teatro de vingança. A esquizofrenia da condição dos policiais militares foi revelada por algumas notícias de jornal: encapuzados como bandidos, executam inocentes sem razão alguma para a seguir, exibindo a farda, fingirem ter chegado a tempo de levar a vítima para o hospital. Isso é o que alguns PMs fazem na periferia, nos bairros pobres onde também eles moram, onde o desamparo em relação à lei é mais antigo e mais radical do que nas regiões mais centrais da cidade. Nas ruas escuras das periferias os PMs cumprem seu dever de vingança e atiram no entregador de pizza. Atiram no menino que esperava a noiva no ponto de ônibus, ou nos anônimos que conversam desprevenidos, numa esquina qualquer. No motoboy que fugiu assustado – quem mandou fugir? Alguma ele fez... Não percebem – ou percebem? – que o arbítrio e a truculência com que tratam a população pobre contribui para o prestígio dos chefes do crime, que às vezes se oferecem às comunidades como única alternativa de proteção. Assim a polícia vem “tranqüilizando” a cidade, ao apresentar um número de cadáveres “suspeitos” superior ao número de seus companheiros mortos pelo terrorismo do tráfico. Suspeitos que não terão nem ao menos a sorte do brasileiro Jean Charles, cuja morte será cobrada da polícia inglesa porque dela se espera que não execute sumariamente os cidadãos que aborda, por mais suspeitos que possam parecer. Não é o caso dos meninos daqui; no Brasil ninguém, a não ser os familiares das vítimas, reprova a polícia pelas execuções sumárias de centenas de “suspeitos”. Mas até mesmo os familiares têm medo de denunciar o arbítrio, temendo retaliações. Aqui, achamos melhor fingir que os suspeitos eram perigosos, e seus assassinatos são condição na nossa segurança. Deixemos o Marcola em paz; ele só está cuidando de seus negócios. Negócios que, se legalizados, deixariam o campo de forças muito mais claro e menos violento (morre muito mais gente inocente na guerra do tráfico do que morreriam de overdose, se as drogas fossem liberadas – disso estou certa). Mas são negócios que, se legalizados, dariam muito menos lucro. O crime é que compensa. Então ficamos assim: o estado negocia seus interesses com os do Marcola, um homem poderoso, fino, que lê Dante Alighieri e tem muito dinheiro. Deixa em paz os superiores do Marcola que vivem soltos por aí, no Congresso talvez, ou abrigados em algumas secretarias de governo. Deles, pelo menos, a população sabe o que pode e o que não pode esperar. E já que é preciso dar alguma satisfação à sociedade assustada, deixemos a polícia à vontade para matar suspeitos na calada da noite. Os policiais se arriscam tanto, coitados. Ganham tão pouco para servir à sociedade, e podem tão pouco contra os criminosos de verdade. Eles precisam acreditar em alguma coisa; precisam de alguma compensação. Já que não temos justiça, por que não nos contentar com a vingança? Os meninos pardos e pobres da periferia estão aí pra isso mesmo. Para morrer na lista dos suspeitos anônimos. Para serem executados pela polícia ou pelos traficantes. Para se viciarem em crack e se alistar nas fileiras dos soldadinhos do tráfico. Para sustentar nossa ilusão de que os bandidos estão nas favelas e de que do lado de cá, tudo está sob controle. *Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta e poeta, é autora do livro "A mínima diferença - o masculino e o feminino na cultura".

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Lei Boliviana Desmente Cobertura da Mídia Brasileira

Tenho procurado textos sobre a situação da Petrobrás e do gás da Bolívia. Encontro uns que defendem e outros que são totalmente contra. Achei melhor postar um que conteste. Não que eu concorde 100%, mas o outro lado já está sendo muito bem defendido. Daremos voz ao outro. O primeiro texto é meio massante no começo, mas depois melhora. Depois vem o decreto do Evo. Meio extenso, mas vale a pena. E bom frio a todos, que não passa! Lei Boliviana Desmente Cobertura da Mídia Brasileira Por Gilberto Maringoni Fonte: Carta Maior, 3/5/2006 São Paulo - A maior parte da imprensa brasileira não pensou muito. Saiu logo atirando: “Brasil cria corvos na América do Sul” (Eliane Cantanhede) “, “Adiós Petrobrás” (manchete do Diário do Comércio), “Despreparo e improvisação” (Miriam Leitão) e “Golpe letal” (editorial do Estado de S. Paulo). Tudo leva a crer que estamos diante de uma declaração de guerra e da desapropriação unilateral de bens e propriedades do Brasil. Vigorou mais a bílis do que a racionalidade jornalística. Um exame detalhado no Decreto Supremo, assinado pelo presidente da Bolívia, nem de longe aponta para algo semelhante. “O que Evo Morales propõe não é arresto dos bens e ativos da companhia, mas uma repartição mais vantajosa nos royalties do gás”, aponta Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet). “Essa é uma promessa de campanha. Se a Petrobrás tiver cabeça fria e competência para negociar, não haverá problemas maiores. O Brasil é o melhor mercado para o gás boliviano”, completa ele. A letra da Lei Na realidade, o Decreto Supremo 28.701, aprovado em 1o de maio último, apenas reafirma e materializa as diretrizes já expressas na Constituição do país e reafirmadas na Lei de Hidrocarbonetos, aprovada , em 17 de maio de 2005. Não há neles uma só linha falando em desapropriação e arresto de ativos, como pinta a mídia brasileira. Mas, logo de saída, enfatiza-se que “O Estado recupera a propriedade e o controle total e absoluto dos recursos (naturais)”. É melhor colocar os fatos em ordem cronológica, para desembaralhar a confusão. A leitura pode ser um pouco árida, mas é esclarecedora. Vamos lá. A Constituição Política da República da Bolívia em seu artigo 139o. diz o seguinte: “As reservas de hidrocarbonetos, qualquer que seja o estado em que se encontrem ou a forma em que se apresentem, são de domínio direto, inalienável, imprescritível do Estado. Nenhuma concessão ou controle poderá conferir a propriedade das reservas de hidrocarbonetos. A prospecção, exploração, comercialização e transporte dos hidrocarbonetos e seus derivados são de responsabilidade do Estado”. A Constituição é de 1967 e sofreu cinco reformas até 2005. Portanto, é anterior ao governo Evo Morales. Em 18 de julho de 2004, após intensa pressão de movimentos sociais, é realizado o plebiscito sobre a exploração e comercialização do gás, ainda sob o governo do presidente Carlos Mesa (2003-2006). A posição vencedora era a de nacionalização do produto logo após sua extração, ou “na boca do poço”. Mesa cumpriu um mandato-tampão, após a queda do presidente Gonzalo Sánchez de Losada, por conta dos protestos contra a política de exportação de gás. Na promessa de Mesa constava a edição de uma nova lei de hidrocarbonetos. A regulamentação do petróleo A palavra é cumprida e, em 17 de maio de 2004, uma nova norma é aprovada. Clique aqui para ler a íntegra . Em seu artigo 5o., ela refere-se tanto ao plebiscito, quanto ao artigo 139o. da Constituição, afirmando proceder a recuperação “da propriedade de todos os hidrocarbonetos na boca do poço para o Estado boliviano. E o Estado exercerá, através de Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), seu direito proprietário sobre a totalidade dos hidrocarbonetos”. Mesa não tinha nada de “populista”, ou de “nacionalista retrógrado”, como a imprensa acusa Evo Morales. Ao contrário. Trata-se de um empresário sem participação política anterior ao seu mandato. A lei dedica seu artigo 6o. à refundação da YPFB, cujos ativos haviam sido quase totalmente privatizados nos últimos anos. O artigo 8o. “dispõe que o Estado reterá 50% do valor da produção de gás e petróleo”, de acordo com o plebiscito. Mais adiante, o artigo 53º. cria “o Imposto Direto dos Hidrocarbonetos (IDH)”. No item seguinte, afirma-se que “A alíquota do IDH é de 32% do total da produção (...) medida no ponto de fiscalização”. Assim, pela soma da repartição dos royalties e pela cobrança de impostos, chega-se aos 82% destinados ao Estado boliviano. Repetindo: todo o relatado acima aconteceu ANTES da posse de Evo Morales. Impostos e Nacionalização O recente decreto de Morales, apenas tenta fazer com que as leis anteriores “peguem”. Assim, seu artigo 2o. ela afirma: “A partir de 1o. de maio de 2006, as empresas petroleiras que atualmente realizam atividades de produção de gás e petróleo no território nacional estão obrigadas a entregar à YPFB toda a produção de hidrocarbonetos”. O tópico seguinte demarca: “Só poderão seguir operando no país as companhias que acatem imediatamente as disposições do presente decreto (...), até que num prazo não maior a 180 dias de sua promulgação, se regularize a atividade mediante contratos que cumpram as condições e requisitos legais e constitucionais. Ao término deste prazo, as companhias que não firmarem contratos não poderão seguir operando no país”. O ponto central da lei está em seu artigo 4º.: “Durante o período de transição, para os campos cuja produção (...) de gás natural no ano de 2005 tenha sido superior a 100 milhões de pés cúbicos diários, o valor da produção se distribuirá da seguinte forma: 82% para o Estado (18% de regalias e participações, 32% de imposto direto e 32% através de uma participação adicional para a YPBF) e 18% para as companhias”. A nacionalização – ressalte-se novamente, sem confisco – está no artigo 7o. “Se nacionalizam as ações necessárias para que a YPBF controle com o mínimo de 50% mais 1 as empresas Chaco S.A. (British Petroleum), Andina S.A. (Repsol espanhola), Transredes AS (Enron), Petrobrás Bolívia Refinación AS e Compañía Logística de Hidrocarburos de Bolivia SA. (Oiltanking GmbH alemã)”. Em entrevista ao jornal boliviano La Razón , o vice-presidente boliviano Alvaro Garcia Linera adverte que os 180 dias compreendem “um período de transição, em que ainda não estão vigentes velhos contratos, e tampouco estão definidos os novos”. Segundo ele, nestes meses acontecerão auditorias “empresa por empresa, para examinar-se seus investimentos, custos, gastos de operação, rentabilidade e como irão se fixar os novos ingressos para o estado e para as companhias”. FHC provoca prejuízo “A reação da imprensa deveria ter ocorrido quando a Petrobrás assinou contratos de gás com a Bolívia”, aponta Fernando Siqueira. Segundo ele, “Por pressão de FHC, ela assumiu o gasoduto boliviano, quando ainda não existia aqui mercado para o gás. Durante cinco anos, a empresa importou 18 milhões de metros cúbicos do produto e pagou por 25 milhões, pois a atividade era anti econômica”. Não era exatamente à Bolívia que os pagamentos eram feitos. Os destinatários eram as empresas Total (França), Repsol (Espanha), Amaco (EUA) e Enron (EUA). Elas exploravam, em 1998, reservas de 400 milhões de metros cúbicos e pressionaram o Brasil a mudar sua matriz energética hídrica, criando assim mercado para o gás. “A Petrobrás fez um contrato absurdo e ninguém reclamou porque ela era 90% estatal”, ressalta Siqueira. As possíveis perdas são, seguramente, menores do que as do contrato firmado no governo tucano, assegura. Na época, a empresa assumiu o risco cambial e uma série de outras incertezas. “O que acontece hoje? FHC vendeu cerca de 40% do capital em Wall Street e mais 19% foi para gente como Benjamin Steinbruch e Daniel Dantas. O Estado detém apenas 32% da empresa, embora tenha a maioria dos votos”, diz ele. Os acionistas privados agora pressionam o governo e a imprensa, resultando nessa grita toda. Decreto Supremo 28071 Evo Morales Ayma Presidente Constitucional da República Herois do Chaco: Considerando: Que em históricas jornadas de luta o povo conquistou à custa do seu sangue o direito a que a nossa riqueza em hidrocarbonetos volte às mãos da nação e seja utilizada em benefício do país. Que no Referendo Vinculante de 18 de Julho de 2004, através da contundente resposta à pergunta 2, o povo decidiu, de maneira soberana, que o Estado Nacional recupere a propriedade de todos os hidrocarbonetos produzidos no país. Que, de acordo como expressamente disposto nos Artigos 136, 137 e 139 da Constituição Política do Estado, os hidrocarbonetos são bens nacionais de domínio originário, directo, inalienáveis e imprescritíveis do Estado, razão pela qual constituem propriedade pública inviolável. Que, por mandato do inciso 5 do Artigo 59 da Constituição Política do Estado, os contratos de exploração de riquezas nacionais devem ser autorizados e aprovados pelo Poder Legislativo, critério reiterado na sentença do Tribunal Constitucional Nº 0019/2005 de 7 de Março de 2005. Que esta autorização e aprovação legislativa constitui o fundamento do contrato de exploração de riquezas nacionais por tratar-se do consentimento que outorga a nação, como proprietária destas riquezas, através dos seus representantes. Que as actividades de exploração e produção de hidrocarbonetos se estão a efectuar mediante contratos que não cumpriram com os requisitos constitucionais e que violam expressamente os mandatos da Carta Magna ao entregar a propriedade da nossa riqueza em hidrocarbonetos a mãos estrangeiras. Que expirou o prazo de 180 dias, indicado pelo Artigo 5 da Lei Nº 3058, de 17 de Maio de 2005, Lei dos Hidrocarbonetos, para a assinatura obrigatória de novos contratos. Que o chamado processo de capitalização e privatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) significou não só um grave dano económico ao Estado como também um acto de traição à pátria ao entregar em mãos estrangeiras o controle e a direcção de um sector estratégico, atingindo a soberania e a dignidade nacionais. Que, de acordo com os Artigos 24 e 135 da Constituição Política do Estado, todas as empresas estabelecidas no país são consideradas nacionais e estão submetidas à soberania, leis e autoridades da República. Que é vontade e dever do Estado e do Governo Nacional nacionalizar e recuperar a propriedade dos hidrocarbonetos, em aplicação ao disposto na Lei dos Hidrocarbonetos. Que o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, assim como o Pacto dos Direitos Económicos e Culturais, subscritos a 16 de Dezembro de 1966, determinam que: "Todos os povos podem dispor livremente das suas riqueza e recursos naturais, sem prejuízo das obrigações que derivam da cooperação económica internacional baseada no princípio do benefício recíproco, assim como no do direito internacional. Em nenhum caso poderá privar-se um povo dos seus próprios meios de subsistência". Que a Bolívia foi o primeiro país do Continente a nacionalizar seus hidrocarbonetos, no ano de 1937, à Standard Oil Co., medida heróica, que foi tomada novamente no ano de 1969 afectando a Gulf Oil, correspondendo à presente geração levar adiante a terceira e definitiva nacionalização do seu gás e do seu petróleo. Que esta medida se inscreve na luta histórica das nações, movimentos sociais e povos originários para reconquistar nossas riquezas como base fundamental para recuperar nossa soberania. Que pelo exposto corresponde emitir a presente disposição, para levar adiante a nacionalização dos recursos em hidrocarbonetos do país. Em Conselho de Ministros Decreta: Artigo 1 - No exercício da soberania nacional, obedecendo ao mandato do povo boliviano expresso no Referendo vinculante de 18 de Julho de 2004 e em aplicação estrita dos preceitos constitucionais, nacionalizam-se os recursos de hidrocarbonetos do país. O Estado recuperar a propriedade, a posse e o controle total e absoluto destes recursos. Artigo 2 I. A partir de 1 de Maio de 2006, a empresas petroleiras que actualmente realizam actividades de produção de gás e petróleo no território nacional estão obrigadas a entregar em propriedade à Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) toda a produção de hidrocarbonetos. II. A YPFB, em nome e em representação do Estado, no exercício pleno da propriedade de todos os hidrocarbonetos produzidos no país, assume a sua comercialização, definindo as condições, volumes e preços tanto para o mercado interno como para a exportação e a industrialização. Artigo 3 I. Só poderão continuar a operar no país as companhias que acatem imediatamente as disposições do presente Decreto Supremo, até que, num prazo não superior a 180 dias a partir da sua promulgação, se regularize sua actividade, mediantes contratos que cumpram as condições e requisitos legais e constitucionais. No termo deste prazo, as companhias que não hajam firmado contratos não poderão continuar a operar no país. II. Para garantir a continuidade da produção, a YPFB, de acordo com directivas do Ministério dos Hidrocarbonetos e Energia, tomará a seu cargo a operação nos campos das companhias que se negarem a acatar ou impeçam o cumprimento do disposto no presente Decreto Supremo. III. A YPFB não poderá executar contratos de exploração de hidrocarbonetos que não hajam sido individualmente autorizados e aprovados pelo Poder Legislativo em pleno cumprimento do mandato do inciso 5 do Artigo 59 da Constituição Política do Estado. Artigo 4 - I. Durante o período de transição, para os campos cuja produção certificada média de gás natural do ano 2005 haja sido superior aos 100 milhões de pés cúbicos diários, o valor da produção será distribuído da seguinte forma: 82% para o Estado (18% de royalties e participações, 32% de Imposto Directo aos Hidrocarbonetos, IDH, e 32% através de uma participação adicional para a YPFB), e 18% para as companhias (o que cobre custos de operação, amortização de investimentos e lucros). II. Para os campos cuja produção certificada média de gás natural do ano 2005 tenha sido inferior a 100 milhões de pés cúbicos diários, durante o período de transição será mantida a actual distribuição do valor da produção de hidrocarbonetos. III. O Ministério dos Hidrocarbonetos e Energia determinará, caso a caso e mediante auditorias, os investimentos realizados pelas companhias, bem como suas amortizações, custos de operação e rentabilidade obtida em cada campo. Os resultados das auditorias servirão de base à YPFB para determinar a retribuição ou participação definitiva correspondente às companhias nos contratos a serem firmados de acordo com o estabelecido no Artigo 3 do presente Decreto Supremo. Artigo 5 I. O Estado toma o controle e a direcção da produção, transporte, refinação, armazenagem, distribuição, comercialização e industrialização dos hidrocarbonetos no país. II. O Ministério dos Hidrocarbonetos e Energia regulará e estabelecerá as normas destas actividades até que sejam aprovados novos regulamentos de acordo com a Lei. Artigo 6 I. Em aplicação do disposto pelo Artigo 6 da Lei dos Hidrocarbonetos, transferem-se como propriedade para a YPFB, a título gratuito, as acções dos cidadãos bolivianos que faziam parte do Fundo de Capitalização Colectiva nas empresas capitalizadas Chaco SA, Andina Sa e Transredes SA. II. Para que esta transferência não afecte o pagamento do BONOSOL, o Estado garante a reposição dos aportes de dividendos que estas empresas entregavam anualmente ao Fundo de Capitalização Colectiva. III. As acções do Fundo de Capitalização Colectiva que estão em nome dos Administradores de Fundos de Pensões nas empresas Chaco SA, Andina SA e Transredes SA serão endossadas em nome da YPFB. Artigo 7 I. O Estado, recupera sua plena participação em toda a cadeia produtiva do sector de hidrocarbonetos. II. Nacionalizam-se as acções necessárias para que a YPFB no mínimo 50% mais 1 nas empresas Chaco SA, Andina SA, Transredes SA, Petrobrás Bolívia Refinación SA e Compañia Logística de Hidrocarburos de Bolívia SA. III. A YPFB nomeará imediatamente seus representantes e síndicos nos respectivos directórios e firmará novos contratos de sociedade e administração nos quais se garanta o controle e a direcção estatal das actividades de hidrocarbonetos no país. Artigo 8 - Em 60 dias, a partir da data de promulgação do presente Decreto Supremo e dentro do processo de refundação da YPFB, será procedida a sua reestruturação integral, convertendo-a numa empresa corporativa, transparente, eficiente e com controle social. Artigo 9 - Em tudo que não seja contrário ao disposto no presente Decreto Supremo, continuarão a ser aplicados os regulamentos e normas vigentes nesta data, até que sejam modificados de acordo com a lei. Os Senhores Ministros de Estado, o Presidente da YPFB e as Forças Armadas da Nação ficam encarregados da execução e cumprimento do presente Decreto Supremo. Feito no Palácio do Governo da cidade de La Paz, no primeiro dia do mêsde Maio do ano dois mil e seis. Fdo. Evo Morales Ayma, David Choquehuanca Céspedes, Juan Ramón Quintana Taborga, Alicia Muñoz Alá, Walker San Miguel Rodríguez, Carlos Villegas Quiroga, Luis Alberto Arce Catacora, Abel Mamani Marca, Celinda Sosa Lunda, Salvador Ric Riera, Hugo Salvatierra Gutiérrez, Andrés Soliz Rada, Walter Villarroel Morochi, Santiago Alex Gálvez Mamani, Ministro de Trabajo e Interino de Justicia, Félix Patzi Paco, Nila Heredia Miranda. A transcrição do original encontra-se em http://listas.nodo50.org/cgi-bin/mailman/listinfo/diariodeurgencia

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Site - Pérolas da música brasileira

Oi pessoas!! Hoje vai um site de músicas antigas, que vai ficar como link da parte de músicas aí do lado. Bom frio para os paulistas e paulistanos!! Pérolas da Música Brasileira

terça-feira, 2 de maio de 2006

Apologia ao Trabalhador

Oizinho! Adorei o texto de hj, pois bem didático sobre o trabalho alienante - em comemoração ao primeiro de maio. Eu devo `tê-lo adorado também devido à minha condição de trabalhadora, que eu nem sei até quando vai. O que fala do prazer do trabalhador - o salário - é EXATAMENTE o que sinto. E a incerteza de até qdo o teremos é que sinto também. Enfim, o texto revela a minha posição de trabalhadora e de taaaaaaaaaantos outros pelo mundo. Simplesmente maravilhoso!! Apologia ao Trabalhador Já se anunciou o “fim do trabalho”, o “fim da história”, o “fim da ideologia”, o “fim da política”, o “fim do Estado”. São todas manifestações de desejos, mais do que da realidade. Nunca, como atualmente, tanta gente, em todas as partes do mundo, vive do seu trabalho. Emir Sader* O homem se distingue dos outros animais por várias características, mas a fundamental é a de que o homem é um ser com capacidade de trabalho. Enquanto os outros animais apenas recolhem o que encontram na natureza – e mesmo a abelha e a formiga, que trabalham, o fazem mecanicamente –, os homens transformam o meio em que vivem. E, ao transformar o meio em que vivem, transformam-se a si mesmos. É através do trabalho que os homens podem transformar, conscientemente, o mundo, humanizando-o. No entanto, se perguntada sobre o que mais gostaria de fazer, a maioria esmagadora das pessoas não citaria o trabalho. Preferiria dormir, comer, ter relações sexuais ou simplesmente não fazer nada. Isto é, preferiria fazer o que temos em comum com os outros animais. O trabalho é negativo, esgotador, desinteressante, para a grande maioria da humanidade, que não trabalha no que quer, que não decide onde vai trabalhar, o que vai produzir, para quem vai ser vendido o que produz, a que preço, em que condições de trabalho vai se engajar. Nada disso. Para eles, o único momento bom do trabalho é no dia em que se recebe salário, ainda assim até o momento em que ele termina – o que acontece cada vez mais rapidamente. Isto ocorre porque a sociedade atual está regida pela alienação do trabalho. Alienação com o mesmo sentido jurídico do termo: entregar a outro o que é nosso. A grande maioria das pessoas se vale do trabalho não da forma criativa de transformar o mundo conforme sua imaginação, seus desejos, seus projetos. Não se trata de humanizar o mundo através do trabalho, mas de se valer do trabalho como instrumento de sobrevivência. De alugar a capacidade de trabalho para quem tem dinheiro para contratá-lo e fazer os outros investimentos necessários, afim de ter um meio de sobrevivência – o trabalhador – e acumular capital – o empresário. De fim, o trabalho se torna meio. E este meio é alienado. No entanto, toda a riqueza – material e espiritual – das nossas sociedades continua a ser produzida pelo trabalho e pelos trabalhadores. Anunciou-se o “fim do trabalho”, da mesma forma que se anunciou o fim de tantas outras coisas – “fim da história”, “fim da ideologia”, “fim da política”, “fim do Estado”. Todas manifestações de desejos, mais do que da realidade. Nunca, como atualmente, tanta gente, em todas as partes do mundo, vive do seu trabalho. O que diminuiu significativamente foi o trabalho formal – isto é, contrato com direitos, condição fundamental para se ser cidadão, sujeito de direitos. A maioria dos brasileiros, dos latino-americanos e das pessoas em todas as regiões do mundo não tem contrato de trabalho. Trabalham, mas não têm décimo-terceiro salário, nem licença maternidade, nem férias. Produzem a riqueza das nossas sociedades, mas não gozam dos direitos elementares, das garantias básicas de que terá emprego e salário no próximo mês, que poderá pagar o aluguel, as despesas de alimentos, das roupas, dos materiais de escola para os filhos e outros gastos. Em uma sociedade que termine com a alienação do trabalho, este se tornará instrumento de realização humana, de desalienação, de emancipação dos homens e das mulheres. A alienação do trabalho – exploração do trabalho, apropriação da riqueza produzida por ele, falta de consciência por parte do trabalhador de que é ele que produz as riquezas do mundo, às quais ele não tem acesso – é um dos fundamentos da sociedade centrada no capital e que, por isso, tem a denominação de capitalismo. A sociedade fundada no trabalho, na generalização do trabalho, em que todos são trabalhadores, em que todos produzem riquezas materiais e espirituais, tem outro nome – socialismo. Diante de mais um Primeiro de Maio, é sempre bom recordar que esse é o dia do trabalhador e não simplesmente do trabalho. Que é uma data que recorda todas as lutas dos trabalhadores do mundo inteiro para diminuir a jornada de trabalho, que chegou a ser de 16 horas, para proibir o trabalho noturno de mulheres e crianças, para fixar um salário mínimo, pela conquista do direito a férias, a 13º salário, a licença-maternidade, a aposentadoria. Direitos colocados em questão pelo capitalismo liberal, o que recoloca o significado do primeiro de maio com mais força na atualidade. *Emir Sader é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

terça-feira, 25 de abril de 2006

Floresta privada sela affair de magnata britânico com Brasil

FÁBIO VICTOR da Folha de S.Paulo, em Londres À exceção de um seleto grupo da alta sociedade e, quem sabe, dos leitores atentos de revistas de celebridades, os brasileiros não conhecem Johan Eliasch. Agora esse milionário sueco-britânico começa a despertar atenções em outras esferas do país, depois de comprar uma enorme porção de terra na Amazônia. O negócio foi feito em outubro, mas só veio à tona no mês passado, noticiado pelo diário londrino "The Times". A área --na verdade duas fazendas, a maior em Manicoré, a outra em Itacoatiara, ambos municípios do Amazonas-- tem 160 mil hectares, extensão equivalente à da Grande Londres. Preservação lucrativa Grosso modo, o plano anunciado por Eliasch é preservar a floresta tropical. Mas, conforme ele mesmo tem feito alarde, vai além, em ousadia e polêmica. O magnata almeja modificar o Protocolo de Kyoto, o acordo internacional para reduzir a emissão de gases que causam o efeito estufa, de modo a permitir que proprietários de florestas preservadas possam também vender créditos de carbono. Hoje, quem faz reflorestamento pode vender os créditos -títulos dados a países que contribuem para redução de poluentes-, que podem ser comprados pelas nações que mais emitem esses gases. Pela legislação atual, quem só conserva a floresta não pode vendê-los. Ou seja, Eliasch, proprietário da empresa de material esportivo Head e dono de uma fortuna pessoal avaliada em 355 milhões de libras (cerca de R$ 1,4 bilhão), quer lucrar com a preservação. O milionário O envolvimento de Eliasch com o Brasil vai além do que supõe um ambientalista desavisado e suscita dúvidas de até onde pode levar sua empreitada. O sueco de 44 anos, nascido em Estocolmo e radicado em Londres, vive desde 2002 com a socialite paulista Ana Paula Junqueira, ex-aspirante a cantora e ainda aspirante a política. Vão se casar oficialmente em setembro. De beleza incomum, Ana Paula concorreu ao cargo de deputada federal nas eleições de 1994 (pelo PMDB) e estadual em 2002 (pelo PFL). Perdeu ambas, e hoje é secretária-geral da Associação das Nações Unidas no Brasil. "Ela é muito preocupada com o meio ambiente, sempre falou da beleza das florestas e das coisas horríveis que eram feitas ali. Então ela teve uma influência muito forte [na decisão da compra]", afirmou Eliasch, à Folha. O empresário tem amigos poderosos no Brasil, como o jogador Ronaldo, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), os irmãos empresários João Paulo e Pedro Paulo Diniz e o apresentador Luciano Huck, entre outros. É ao lado desse grupo que o casal costuma aparecer nas revistas de celebridades, em camarotes no Carnaval e festas do circuito Rio-São Paulo. "Ela conhece todo mundo no Brasil", explica Eliasch sobre Ana Paula. "Ronaldo é um amigo, o encontro com freqüência, somos ambos interessados em esportes, às vezes jogamos golfe juntos. Ele é um golfista muito talentoso, parecido com o Tiger Woods", brinca. As amizades influentes transcendem o "show business" e incluem a política. Eliasch --vice-tesoureiro do Partido Conservador britânico, ao qual fez empréstimos revelados na recente devassa no financiamento de campanhas no país-- conta que, para comprar um naco da Amazônia, teve uma "grande ajuda" do ex-senador pefelista Gilberto Miranda, assim como do governador do AM, Eduardo Braga (PMDB). "Todos foram muito solícitos e compreenderam meu plano de preservar a floresta." A compra Não significa que a operação tenha sido um sucesso. Reportagem do "Correio Braziliense" informou que a posse da área ainda é investigada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Eliasch se declara tranqüilo. "Diria que não há muitos problemas. Estou certo de que a maior parte da área é regular." A floresta privada do sueco foi adquirida do grupo americano GMO Renewable Resources, que controlava a madeireira Gethal. Ele demitiu mil funcionários da empresa e diz manter 120 pessoas, entre seguranças e "gente envolvida com a terra" na área, para evitar desmatamento. Ele não revela o valor gasto no negócio. A mídia britânica fala em 8 milhões de libras (cerca de R$ 30 milhões). O valor diverge do cálculo realizado por Eliasch, segundo o qual um hectare da floresta amazônica custa US$ 30 -o que resultaria em cerca de R$ 11 milhões pelas fazendas. Eliasch avalia que os 400 milhões de hectares da floresta amazônica podem ser comprados por US$ 12 bilhões (e não US$ 50 bilhões, como publicou o "Times", de acordo com ele, equivocadamente). E abriu campanha para que outros estrangeiros sigam o seu caminho. Tem falado com políticos e celebridades internacionais e aconselhado interessados em embarcar na luta por créditos de carbono para preservacionistas. "Tenho recebido centenas de consultas toda semana sobre pessoas dizendo: também quero comprar terra na Amazônia, como posso fazer isso? O mais importante é que não sejamos vistos como estrangeiros chegando para comprar um pedaço do Brasil, mas como uma iniciativa para ajudar a preservar a floresta. Não como colonialistas tentando explorar os mais pobres", afirma. Projetos Eliasch planeja outras fontes de renda para sua floresta. "Remédios alternativos, óleos essenciais, produtos com biodiversidade", descreve. Para isso procurou o médico Drauzio Varella, que conduz um projeto de pesquisa da Unip (Universidade Paulista) na Amazônia de coleta de plantas para desenvolver medicamentos. "Expliquei como era feito nosso trabalho, que tecnologia é utilizada. Ele disse que estava interessado em trabalhar com desenvolvimento sustentável, fazer pesquisas com óleos minerais, de uma forma que pudesse criar viabilidade econômica para aquela área sem destruir a floresta. Pareceu-me uma pessoa séria e bem intencionada", diz Varella. Ana Paula, que se diz empolgada com a compra, traçou o projeto de um documentário sobre a Amazônia. "Acho super importante a gente ter essa responsabilidade com o meio ambiente, principalmente eu e o Johan, que participamos de muitas conferências pelo mundo. A preocupação mundial hoje é essa. É que no Brasil temos outras prioridades, as pessoas não dão ainda o devido valor", afirma. "Nasci e cresci em uma fazenda, sempre tive esse contato com a natureza, esse respeito. A família Junqueira é tradicional por essa coisa de estar junto com a terra. Cresci com esses valores, é uma coisa com que sempre me preocupei." Não sei... mas lembro de uma musica de Composição: Raul Seixas e Claudio Roberto. Segue a letra... A solução pro nosso povo eu vou dar Negócio bom assim ninguém nunca viu Tá tudo pronto aqui é só vir pegar A solução é alugar o Brasil! Nós não vamos pagar nada Nós não vamos pagar nada É tudo free, Tá na hora agora é free, vamo embora Dar lugar pros gringo entrar Esse imóvel tá prá alugar Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar Tem o Atlântico, tem vista pro mar A Amazônia é o jardim do quintal E o dólar deles paga o nosso mingau Nós não vamos pagar nada Nós não vamos pagar nada É tudo free, Tá na hora agora é free, vamo embora Dar lugar pros gringo entrar Esse imóvel tá prá alugar Nós não vamos pagar nada Nós não vamos pagar nada Agora é free Tá na hora agora é free, vamo embora Dar lugar pros gringo entrar Esse imóvel tá prá alugar enviada por primerhy

quarta-feira, 12 de abril de 2006

17/04/2006 - 10 Anos de Eldorado dos Carajás. Nenhum Punido.

Encontrei uma série de reportagens sobre esse assunto na Agência Notícias do Planato, para o qual o link encontra-se aí ao lado. Bom, as notícias têm suas versões escrita e falada - programa de rádio. As duas são quase idênticas. Aqui vai um link para todas as faladas e o melhor texto, pelo que li, de todos.

O dia 17 de abril

Sobreviventes relatam o histórico do massacre Áudio - O dia 17 de abril Localizado na Região Norte e com uma área equivalente a 16% do território nacional, o Pará é o estado líder na violência no campo. Nos últimos 30 anos mais de 700 trabalhadores rurais foram assassinados, devido a disputas por terra. A polícia concluiu o inquérito em apenas 11 dos casos, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Entre eles, o do assassinato de 19 agricultores sem terra pela Polícia Militar, conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás, que completa uma década este ano. “A polícia veio, fez covardia com ‘nóis’, matou nossos companheiros”(Antonio Alves de Oliveira, 46 anos, tiros na perna) “Aquele dia foi sofrido. Eu não estava nem acredita”, (Raimunda Conceição Almeida, 62 anos, viúva de Leonardo Batista Almeida) “É uma coisa que jamais vai sair da memória da gente. Fica gravado. E acho que jamais ele pode ser esquecido” (José Sebastião de Oliveira, 57 anos, tiro na perna) No dia 05 de novembro de 1995, mais de 1.500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a Fazenda Macaxeira, no município de Eldorado dos Carajás, no sul do estado. Segundo o movimento, a terra era usada somente para pasto pelo proprietário Plínio Pinheiro. Mesmo assim, era considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Após cinco meses sem respostas sobre a desapropriação da área, as famílias iniciaram uma marcha rumo à Marabá. “Sempre dá um calafrio quando passo no lugar onde levei os tiros e vi os companheiros sendo baleados” (Domingos Reis da Conceição, 30 anos, tiros na perna) “Nós não queria guerra não. Nós ‘queria’ era terra pra trabalhar” (José Agarito, 28 anos, tiro no olho. Bala alojada no cérebro ainda hoje) “Foi a agonia mais triste do mundo. Cada dia que eu relembro aquilo parece que eu estou vivendo na hora” (Dalgisa Dias de Sousa, 50 anos, pancada no pescoço) O dia do massacre Em 17 de abril de 96, após nove dias de caminhada, sem comida e cansadas, as famílias bloquearam a rodovia PA-150, no trecho conhecido como curva do “S”. As negociações por alimento e transporte foram interrompidas pela decisão do governo do estado de liberar a estrada “a qualquer custo”. Para isso o então governador Almir Gabriel (PSDB) acionou a Polícia Militar. Dez anos depois, a equipe da Agência Notícias do Planalto foi ao local do massacre ouvir os diversos envolvidos no caso. “Os ônibus chegaram cheios de polícia. Não teve conversa não. Chegaram mesmo jogando bomba. Foi tiroteio” (José Agarito) “A polícia começou a se preparar, como se fosse para um combate. Corriam com as armas, mostravam, apontavam se ajoelhavam e nós olhando. Fechamos todas as portas e ficamos olhando pelas brechas” (Miguel Pontes, 42 anos, tiro na perna) “De acordo com eles mesmos era dar tiro em vivo ou morto. Quando ‘se’ demos conta, era bala pra cima de bala e nego caindo morto” (Meirton Germiniano, 29 anos, tiros na perna) De um lado o batalhão da cidade de Parauapebas comandado pelo Major José Maria Pereira de Oliveira. Do outro, o Coronel Mário Collares Pantoja e seus soldados de Marabá. Os sem-terra estavam cercados por 155 policiais fortemente armados. “O finado Amâncio surdo chegou lá pra frente. Aí o policial atirou nele. Na hora que ele caiu, atirou na cabeça dele. Resultado: 19 mortos, 69 feridos, peguei um tiro de fuzil aqui, fratura exposta” (Domingos Reis da Conceição) “Eu já tinha tomado 9 tiros” (Avelino Germiniano, 51 anos) “Tomei uma bala na perna...peguei outro tiro na perna de novo” (Meirton Germiniano) “Levei uma pancada no pescoço” (Dalgisa Dias de Sousa) Fim da chacina Encerrado o massacre, o cenário era de guerra. A equipe de reportagem da TV Liberal, presente no local, gravou a execução dos trabalhadores. Imagens que percorreram o mundo e chocaram a opinião pública. Seu Antônio Venceslau da Conceição, 61 anos, que mora ainda hoje na curva do “S”, chegou logo após as rajadas. “Foi um sofrimento a noite todinha. O pessoal ficava gritando aqui. Quem não estava baleado estava quietinho que não podia se mexer. Para todo o canto um gritava: ‘me faz socorro, estou com a perna quebrada, não posso sair’. Era pai chamando o filho. Filho chamando o pai. Irmão chamando irmão. A mãe chamando os filhos. Filho chamando mãe. Marido chamando a mulher. Sobrinho chamando tio...”, conta Seu Antônio. Nenhum policial foi morto e apenas um ficou ferido. Enquanto que o comando policial contabilizou oficialmente seis homens sem-terra mortos após a ação. Já no Instituto Médico Legal (IML) chegaram 19 corpos, número ainda questionado pelos sobreviventes, segundo Antônio Alves de Oliveira, o Índio, uma das 69 pessoas feridas.”Lá no dia a polícia apresentou 19, só que na minha idéia foi bem mais gente. É difícil você dar rajada de bala onde tem mulher, criança e homem, e morrer só homem. Um dia alguém vai descobrir. Deve ter morrido criança, mulher... Rajada de bala pra atingir só homem é complicado”, contesta. Além do número oficial de mortos que é contestado, as ocasiões dos assassinatos também geram polêmicas. De acordo com médico-legista Nelson Massini, indicado para o caso pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, a maioria das vítimas foi executada com tiros na nuca, tórax, cabeça. Para ele foi um massacre típico, com uso de força desnecessária, imobilização das vítimas, seguida de execução sumária. Os que fugiram eram recapturados para serem liquidados. “Os sem-terra não morreram em confronto, morreram subjugados e imobilizados nas mãos da Polícia Militar”, afirmou Massini. Esta tese é reafirmada por Carlos Guedes, advogado do MST que acompanhou o caso. “Dos 19 mortos, pelo menos 13, de forma inquestionável foram executados após encerrada a operação policial. Isso foi demonstrado de forma muito segura no processo. Então as pessoas acham que o policial agiu de forma truculenta, irresponsável, atirou de forma maciça e acabou matando 19 pessoas. Não, não foi isso. O resultado desta ação truculenta foi 6 mortes e outras 13 pessoas foram executadas depois de feridos e imobilizados”, diz Guedes. Após três séries de julgamentos conturbados e um deles anulado, o resultado hoje é: 144 agentes da polícia absolvidos e os comandantes das tropas condenados. Ninguém está preso, pois o Major Oliveira e o coronel Pantoja recorrem a sentença em liberdade. Nem o ex-governador Almir Gabriel, nem o então secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, sentaram no banco dos réus e sequer foram envolvidos formalmente no caso. Além de 69 sem-terra mutilados, três pessoas morreram em decorrência dos ferimentos nos últimos anos, elevando o número oficial de mortos para 22. Depoimento de sobrevivente do massacre: “Eu sou Dalgisa Dias de Souza, sobrevivente do Massacre de Eldorado dos Carajás. Até hoje vivo na luta graças a Deus e por tudo que passamos quero resistir. Eu quero que aconteça justiça, porque nosso sangue foi derramado.” ---------- Reportagem especial produzida pela Agência Notícias do Planalto Ficha técnica Enviadas especiais ao Pará: Beatriz Pasqualino e Nina Fideles Produção: Sofia Prestes Sonoplastia: Leandro Gregorine Os outros programas em áudio: Impunidade no caso O Massacre continua: mutilados e famílias das vítimas A vida dos sem-terra: Assentamento 17 de Abril

quarta-feira, 5 de abril de 2006

O novo muro da vergonha

Movimentos sociais planejam mobilização para impedir a construção de um muro duplo na fronteira dos Estados Unidos com o México Mariana Tamari de Caracas (Venezuela) do Jornal Brasil de Fato Como parte de um pacote de medidas para conter a entrada de imigrantes ilegais, congressistas estadunidenses apresentaram o projeto conhecido como "iniciativa Sensenbrenner", que prevê a construção de um muro duplo, de mais de mil quilômetros, na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Essas medidas, que ainda devem ser aprovadas pelo Senado e pela Casa Branca, geraram protestos em todo o mundo. No Fórum Social Mundial, foi articulada uma mobilização para destruir simbolicamente esse possível monumento ao terror imperialista. No dia 28 de janeiro, em Caracas, entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos anunciaram a realização de uma marcha que terá início no dia 21 de março, em Chiapas, no México, e atravessará o país até chegar a Cidade Juarez, na divisa com os EUA. Ali acontecerá um ato de desobediência civil, no qual manifestantes cruzarão o limite entre os dois países para mostrar indignação em relação ao tratamento que recebem os imigrantes nos EUA. De acordo com Michael Guerrero, coordenador nos EUA da Grassroots Global Justice, junto ao ato contra o muro acontecerá um Fórum Social Fronteiriço, cujo objetivo será preparar uma plataforma para as organizações ligadas às questões que envolvem imigrantes. Além disso, vão começar os debates para o Fórum Social dos Estados Unidos, previsto para junho, em Atlanta, Georgia. Edur Arregui, da Liga Magonista 7 de janeiro, entidade que está articulando o ato entre organizações estadunidenses, mexicanas e canadenses, afirmou que já foram gastos cerca de três bilhões de dólares na construção de partes do muro e que, caso o novo projeto seja aprovado pelo congresso estadunidense, os custos podem chegar a 20 bilhões de dólares. "O muro é simplesmente um monumento para intimidar os imigrantes, pois não aumenta a segurança. É para dizer que eles não são bem-vindos. Serve para fazer com que os imigrantes entrem no país sem dignidade". Ele acredita que além de ser um símbolo do poder imperialista dos EUA, o muro deve gerar na maioria dos estadunidenses a sensação de estar em uma fortaleza sitiada. "O muro é um elemento-chave de controle da sociedade estadunidense. Serve para isolar a sociedade, para que o povo não veja outros povos, para que não se identifique e não sinta empatia por nenhuma outra nação." Cidade Juarez A cidade onde vai acontecer a Intifada mexicana tem 1,7 milhão de habitantes e retrata as conseqüências das políticas antiimigrantes dos Estados Unidos. A maioria da população de Cidade Juarez é de mulheres e crianças. São esposas, filhos e filhas dos imigrantes homens que se arriscam no deserto em busca do sonho americano. Ciudade Juarez, no Estado mexicano de Chihuahua, faz fronteira com a cidade texana de El Paso. Nos últimos dez anos, mais de 350 mulheres foram mortas em Cidade Juarez sob circunstâncias que as autoridades ainda não conseguiram esclarecer. As hipóteses apontam para tráfico de órgãos, crime organizado, redes de tráfico de mulheres e companhias ou pessoas que realizam vídeos de pornografia. Para Christian Ramirez, do Comitê do Serviço Americano dos Amigos (AFSC, sigla em inglês), a causa dessas mortes está relacionada ao problema da criminalização da imigração. "Famílias se desfazem pelo sonho americano. As mulheres de Cidade Juarez ficam vulneráveis pelas condições a elas impostas", acredita ele. Segundo Christian, desde que foi implantada a Estratégia Bilateral de Cooperação Contra as Drogas México-Estados Unidos, em 1998, mais de quatro mil pessoas morreram ao tentar atravessar a fronteira. No México há mais de 400 fossas comuns onde são enterrados aqueles que não conseguem terminar a travessia com vida.

terça-feira, 28 de março de 2006

Protestos contra precarização do trabalho sacodem a França

Oizinho! Coloquei uma animação nova esses dias, aí do lado. É a consrução de uma casa. Bem bonitinho e, provavelmente, trabalhoso para quem o fez. Bom, hj o texto é sobre as manifestações lá na França. Eu falei outro dia que não ia postar um texto sobre isso pq não haviam informações adicionais e/ou interessantes sobre as manifestações. Mas o negócio tá pegando fogo lá. Está marcada Greve Geral para amanhã. E Greve Geral lá pára até aeroportos e sistema público de transporte. Puxa!

Protestos contra precarização do trabalho sacodem a França

Ivana Jinkings - Especial para Carta Maior PARIS - A manifestação de diversas forças políticas neste sábado (18), em Paris, reuniu, segundo a policia, 500 mil pessoas. E, segundo os manifestantes, não menos de um milhão. Foi o maior protesto de estudantes, trabalhadores, militantes politicos, dirigentes sindicais contra o CPE (Contrat Première Embauche, ou Contrato de Primeiro Emprego), que retira uma série de direitos trabalhistas dos jovens, livrando os patrões do pagamento da justa causa nas demissões, entre outras medidas altamente impopulares. A concentração teve início na Place D’Italie e transformou-se numa passeata até La Nacion, cerca de oito quilômetros depois. No trajeto, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra «uma sociedade que não oferece mais que desemprego e precariedade » à população. Embora os principais alvos fossem o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, e o presidente Jacques Chirac, as frases mais duras (quase todas impublicavies) dirigiam-se contra o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, responsável pela polícia e notório representante da direita francesa, que tem procurado desqualificar as manifestacões atribuindo-as a “marginais” e a “estrangeiros”. O cortejo foi dominado pelas faixas vermelhas do PCF (Partido Comunista Francês), da CGT (Central Geral de Trabalhadores), CFDT (Confederação Democrática dos Trabalhadores), FO (Força Operária), além da CFE-CGC, Unsa, CFTC, FSU, e Solidaires, entre outros. Um dos principais organizadores do ato, o secretario geral da CGT, Bernard Thibault, declarou neste domingo aos jornais: «Crescemos cerca de um terço em relação o que éramos em 7 de março. A demanda de retirada do Contrato de Primeiro emprego precisa de mais força. 70% dos franceses exigem sua retirada, sendo 80% de jovens entre eles. O governo está diante de um impasse em relação ao moviomento ». A manifestação vitoriosa da esquerda correu pacífica pelas ruas de Paris. À medida que avançava, ia agregando gente. Grupos políticos vinham organizados, cada qual com sua bandeira : trabalhadores de uma fábrica, estudantes de um determinado colégio etc. Dirigentes e militantes do PCF levaram um carro de som que, junto com a CGT, incentivou milhares de pessoas a cantar a Internacional Comunista. Um ou outro incidente de percurso, como o encontro de membros da LCR (Liga Comunista Revolucionária), grupo de extrema esquerda, com estudantes tidos por esses como « moderados », resultava em trocas de palavras de ordem. Mas o tom geral resultou num alento não apenas às forças populares francesas, mas à esquerda internacional. O movimento deverá culminar numa greve geral convocada para 23 de março. No final, como prova de que polícia é polícia em qualquer parte do mundo, e ainda sob o impacto das impressionantes cenas incendiárias de jovens das classes populares em violentos conflitos de rua, um forte contigente de segurança rondou todo o percurso, armado como se fosse para uma guerra. Em La Nación, durante horas foram ostensivamente provocativos com os jovens. Bombas de efeito moral eram jogadas de 10 em 10 ou de 15 em 15 minutos. Quando chegaram ao « tempo-limite » de sua « tolerancia « democratica », os guardas partiram para cima dos manifestantes com gás lacrimogênio, prisões, tentando dispersando o final do ato. Mas, a essa altura, este já era história. * IVANA JINKINGS é editora da revista Margem Esquerda e da Boitempo Editorial Publicado pela Agência Carta Maior em 19/3/06 Sindicatos e estudantes franceses protestam juntos por emprego Por Kerstin Gehmlich e Tom Heneghan PARIS (Reuters - 18/03/2006) - Multidões de estudantes, sindicalistas e partidários de esquerda foram às ruas na França, no sábado, para pressionar o governo conservador a anular uma nova lei que mina a segurança no trabalho para jovens trabalhadores. Em clima de festa, sob o céu azul, milhares participaram em Paris, Lyon e Rennes na maior das 160 demonstrações planejadas em um movimento crescente, que gera grave crise para o primeiro-ministro, Dominique de Villepin. Policiais cuidaram de manter vigilância sobre a multidão, para evitar a repetição da violência que comprometeu a manifestação de estudantes em Paris na quinta-feira. Os manifestantes exigem que Villepin retire um novo contrato de trabalho de jovens, conhecido como CPE, que permite à empresas demitir trabalhadores com menos de 26 anos sem justificativas, durante os dois primeiros anos de trabalho. Ele lançou a medida para encorajar empregadores relutantes a contratar novo pessoal. "Eu me arrisco a trabalhar dois anos por nada, para ser demitida a qualquer momento", disse a estudante parisiense Coralie Huvet, 20, que tinha a inscrição "Não ao CPE" na testa. Apontando para lágrimas pintadas no rosto, ela adicionou: "É deprimente, por isso estou chorando." Os organizadores, que chamam o CPE de "contrato Kleenex", por permitir que trabalhadores jovens sejam "jogados fora" como papel, disseram esperar 1,5 milhão de pessoas nas marchas durante o terceiro protesto nacional em seis semanas. Políticos oposicionistas socialistas e comunistas também participaram do evento, na terceira vez em quatro decadas que estudantes e trabalhadores protestam juntos, após 1968 e 1994. Sindicalistas deveriam se encontrar após o protesto para definir ações futuras. "Se eles não nos ouvirem, nós teremos que pensar em realizar uma greve nacional", disse Bernard Thibault, chefe do sindicato pró-comunista CGT. "Nós não podemos esperar, porque o movimento dos estudantes vai continuar e haverá riscos", disse o líder do movimento dos professores Gerard Ascheri. "Deverá haver greve na próxima semana." Villepin, cuja aposta nesta medida impopular pode custar sua chance de concorrer à presidência no ano que vem, jurou que não vai ceder à pressão das ruas. Ao mesmo tempo, ele sugeriu na sexta-feira que poderia fazer alguns ajustes na lei. O desemprego é o principal tema político na França, onde a média nacional é de 9,6 por cento e, entre os jovens, é o dobro. A taxa sobe para 40 a 50 por cento em alguns subúrbios pobres, que tiveram semanas de protestos no outono passado. Em uma tentativa de conter a crise, o presidente Jacques Chirac disse, na sexta-feira, que o governo estava "pronto para dialogar." Mas o governo tem pouco terreno para manobras, se não fizer grandes concessões. Uma pesquisa divulgada na sexta-feira mostra que 68 por centro dos franceses são contra a lei, um crescimento de 13 por cento em uma semana. Extraídos do site da APS (Ação Popular Socialista)

segunda-feira, 20 de março de 2006

A Transformação dos Animais em Alimento

Fazia tempo que eu não gostava tanto da minha publicação... É que o tempo anda curto e as reportagens na net também. As críticas se esgotaram, nada de novo. E o PSDB tá cantando vitória, com a ajuda da mídia, e enchendo o saco da gente, já estourado. Mas o tema hj é um pouquinho diferente, e bem legal. Hoje vai aqui um vídeo e um texto, sobre a crueldade da indústria de carnes e laticínios. Eu estava querendo postar isso já faz tempo, mas eu só tinha o vídeo. Queria um texto também, que coloco abaixo. Por indicação de um amigo vegetarianista, o texto foi tirado do site Vegetarianismo. O vídeo é o Meatrix. Bom esse nome, não?! Vale a pena ver o vídeo e ler o texto. Muito!!! A transformação dos Animais em Alimento A competição para produzir carne, ovos e derivados de leite baratos tem levado o "agribusiness" a tratar os animais como objetos e mercadorias. A tendência mundial é a de substituir fazendas familiares pelas "fazendas-fábricas": galpões onde os animais são mantidos em currais abarrotados ou cocheiras estreitas. Um grande número de bois de corte, vacas leiteiras, leitões, galinhas e perus são criados nessas condições. Crueldade Industrializada: Fazendas-Fábricas A lei federal norte-americana de Bem-Estar dos Animais (Animal Welfare Act) exclui da proteção os animais de fazenda, e a maioria das leis anti-crueldade isentam a prática padrão da pecuária. Isso inclui marcar com ferro quente, castração, corte dos chifres, corte dos bicos e corte das caudas -- procedimentos realizados sem anestesia. “A maioria das pessoas que comem carne não pensam muito sobre todo o processo que envolve a conversão do animal vivo na carne no prato ... Para a pecuária moderna, quanto menos o consumidor souber o que acontece antes que a carne acabe no prato, melhor será. Se isso for verdade, seria uma situação éticamente justificável ? Deveríamos, nós pecuaristas, relutar em permitir que as pessoas saibam o que realmente se passa, só porque nós não nos orgulhamos do que fazemos e por termos medo de que as pessoas se voltem para o vegetarianismo ? Dr. PhD Peter Cheeke, professor de Pecuária da Oregon State University, livro-texto "Contemporary Issues in Animal Agriculture" (Questões Atuais da Pecuária), 1999” Muitos acreditam que os animais criados para alimento devem estar sendo bem tratados porque animais mortos ou doentes não rendem dinheiro. O Dr. PhD Bernard Rollin, explica que é "mais eficiente economicamente colocar um número maior de aves em cada gaiola, aceitando menor produtividade por galinha mas maior produtividade por gaiola ... os animais individuais podem "ter produtividade", por exemplo, em ganho de peso, também porque ficam imóveis, sofrendo por não ter como se mover ... galinhas são baratas, mas as gaiolas são caras". “Esse filme [Babe] é a idéia que as pessoas têm sobre os porcos. Os "Babes" da vida real não vêem o sol em suas vidas curtas, não têm palha para se deitar, e nem lama para se banhar. Os leitões vivem em gaiolas minúsculas, tão estreitas que não podem sequer se virar. Eles vivem sobre grades de metal, e seus excrementos são empurrados em calhas por debaixo e descarregados em fossas imensas. Morley Safer reportagem "Pork Power" (Poder dos Porcos), noticiário 60 Minutes, 19/9/1997” Em um artigo recomendando que o espaço seja reduzido de 8 para 6 pés quadrados por leitão, o jornal da indústria National Hog Farmer (Fazendeiro de Porcos Nacional) sugere que "Amontoar compensa" na produtividade final. Aves Nos EUA, praticamente todas as aves de produção são criadas em fazendas-fábricas. Nessas condições estressantes e superpopulosas, as galinhas bicam-se umas às outras. Para impedir isso, os funcionários cortam até 2/3 dos bicos com uma lâmina quente, causando dor severa durante semanas. Algumas aves não conseguem comer depois de cortado o bico e morrem de fome. Em galpões pouco ventilados, os excrementos exalam vapores que causam infecções respiratórias, infecções nos olhos e outros danos. Galinhas Poedeiras Até seis galinhas poedeiras vivem em uma única gaiola cujo chão feito de grades de arame nao passa de 1,7 pés quadrados. Essas condições levam à debilidade, ossos quebradiços, osteoporose e fraqueza muscular. ”Com o aumento do conhecimento sobre o comportamento e as habilidades cognitivas da galinha, veio o reconhecimento de que a galinha não é uma espécie inferior para ser tratada meramente como uma fonte de alimento. Dr. PhD Lesley J. Rogers, "The Development of Brain and Behaviour in the Chicken" (O Desenvolvimento do Cérebro e do Comportamento na Galinha), 1995” Em 1888, as galinhas punham em média 100 ovos por ano; em 1998, a média era de 256.8 Ao final de seu ciclo de postura, as galinhas nos EUA são abatidas ou recebem um "choque biológico" que consiste em remover a ração e a água por vários dias para provocar outro ciclo de postura de ovos. As fazendas de ovos não fazem uso dos pintos machos; eles são mortos por sufocamento em sacos plásticos, decapitação, câmaras de gás ou esmagamento. “De acordo com os estudiosos, as galinhas [criadas para o abate] crescem tão rapidamente que o coração e os pulmões não se desenvolvem o bastante para suportar o resto do corpo, resultando em falha cardíaca congestiva e tremendas perdas por mortes. David Martin para a revista Feedstuffs (Rações), 26/5/1997” A Realidade da Vida das Vacas As pessoas normalmente acreditam que elas não causam mal às vacas ao beber seu leite. No entanto, não é lucrativo manter as vacas vivas depois que sua produção de leite diminui -- geralmente por volta de 5 a 6 anos de idade, embora a longevidade normal seja de 25 anos. Assim, o consumo de leite e derivados leva diretamente à morte das vacas. As estatísticas do USDA (Departamento de Agricultura norte-americano) mostram que em 1940, as vacas atingiam em média 2,3 toneladas de leite por ano. Apesar dos grandes excedentes de leite, o Hormônio de Crescimento Bovino (BGH) foi aprovado em 1993; e por volta de 1997, a média era de 8,4 toneladas por vaca. Algumas vacas tratadas com o BGH tem produzido recentemente mais de 30 toneladas de leite em um único ano. A produção excessiva de leite leva a danos nos ligamentos da mama, fraqueza, mastite (inflamação da mama) e desequilíbrios metabólicos. ”A senhora DeBoer disse que nunca ordenhou uma vaca à mão, e espera não ter que fazer isso. Na fábrica que é seu estábulo, os empregados, quase todos imigrantes latinos, operam o maquinário. "É igual a uma fábrica", ela disse. "Se as vacas não produzem leite, elas viram carne." "Urban Sprawl Benefits Dairies in California" (Crescimento Urbano beneficia leiterias na California), reportagem do New York Times, 22/10/99” As vacas leiteiras raramente são permitidas cuidarem de seus filhotes. Um terço dos bezerros machos é morto imediatamente, ao mesmo tempo que 40% deles é criado para o mercado de vitelas alimentadas com uma "ração especial". Esses bezerros são normalmente mantidos em cocheiras individuais acorrentados pelo pescoço com uma corrente de 2 a 3 pés durante 18 a 20 semanas.2 Depois eles são mortos. E os peixes ? Muitos peixes possuem uma longa vida natural, um sistema nervoso complexo e são capazes de aprender tarefas não triviais. O livro-texto de Guyton & Hall "Textbook of Medical Physiology" (Compêndio de Fisiologia Médica) de 1996, declara que "as regiões inferiores do cérebro [que todos os vertebrados possuem] parecem ser importantes na percepção dos tipos de dor e sofrimento porque mesmo tendo seus cérebros cortados acima do mesencéfalo para bloquear todos os sinais de dor que atingiriam o cérebro superior, esses animais ainda demonstram inegáveis evidências de sofrimento quando qualquer parte do corpo é traumatizada". A cada ano, aproximadamente 80.000 golfinhos e milhares de outros animais marinhos são aprisionados nas redes de pesca comercial no mundo inteiro. A maioria morre. A pesca industrial esgota as cadeias alimentares marinhas, danificando seriamente os ecossistemas oceânicos. Transporte Durante o transporte, todos os animais de fazenda perdem pelo menos 3% de seu peso, a maior parte na primeira hora de viagem, através da urina e defecação bem como resultado de estresse. Os animais são obrigados a permanecer sobre os excrementos e ficam expostos à condições extremas de temperatura nos caminhões abertos, algumas vezes ficando presos ao caminhão por congelamento. Essas práticas padrão podem resultar em "baixas" -- animais que ficam doentes demais para andar, mesmo quando são espancados ou recebem choques com aguilhões elétricos. Em currais, os animais em "baixa" são arrastados por correntes, ainda vivos, e dali vão para o matadouro ou para uma pilha de animais mortos, onde são abandonados para morrer. Animais Selvagens O Serviço para Animais Selvagens da USDA/APHIS (órgão do Departamento de Agricultura norte-americano) e os criadores de gado matam animais selvagens para proteger os animais de fazenda. Tendo eliminado as populações nativas de lobos e ursos cinzentos, os caçadores do governo federal agora matam cerca de 100.000 coiotes, linces, porcos selvagens, bisões e leões-da-montanha a cada ano. Eles são alvejados por armas de fogo, mutilados em armadilhas cortantes, capturados com laços ou envenenados com cianeto. Teve o caso desse touro que eu lidei no ano passado -- esse touro foi um dos maiores que já vi. Estava bem na parte da frente do reboque. E a vontade que ele tinha ... estava tentando ao máximo sair do reboque. Ele estava levando choques um atrás do outros dados por três ou quatro motoristas ... mas seus quadris e suas pernas de trás estavam enfraquecidas demais. E assim, eles continuavam a dar choques. Levou 45 minutos para tirá-lo da parte da frente do reboque até a rampa na parte de trás ... Então, dali ele foi acorrentado pelas pernas da frente mas acabou caindo da rampa até o chão de uma distância que não sei quanto era mas que fez um estrondo ... aí eu disse "Porque vocês não sacrificam logo o infeliz ? O que há com vocês ? Cadê o código de Ética ?" e um outro cara disse "Eu nunca sacrifico. Porque eu iria matar uma vaca que ainda pode sair e ainda tem um bocado de carne nela ?" Quando eu comecei, tive uma conversa com um outro caminhoneiro sobre as "baixas". Ele disse "É melhor você não ligar mesmo. Isso tem acontecido por muitos anos. Vai acontecer ainda pelo resto da minha vida e da sua também. É melhor você se conformar. Isso sempre acontece. Você vai ficando um pouco amargo, como eu fiquei. Não pense nos animais. Imagine que eles não estão sentindo nada ou qualquer outra coisa." Entrevista com um caminhoneiro de gado canadense no documentário "A Cow at my Table" (Uma Vaca na Minha Mesa) sobre a indústria da carne.” (video à venda no site)

sexta-feira, 17 de março de 2006

TV Digital brasileira: do sonho ao ralo !!!

êta correria... êta canseira... Mas o texto hj foi difícil, viu! O melhor foi esse aqui. Eu até ia postar sobre a greve das universidades na França, mas as reportagens são fracas. Então, belê. Inté!

TV Digital brasileira: do sonho ao ralo !!!

Mauro Oliveira e Tarcísio Pequeno “Se foi pra desfazer por que é que fez?” (Vinícius) O que levaria um Governo nariz empinado, esperança de um novo tempo, a ter a ousadia de convocar a inteligência nacional para definir um modelo de TV Digital que atenda aos interesses sociais e econômicos do país para depois jogar todo este esforço pelo ralo? Infelizmente, o nariz Pinóquio ficará abaixo do nível do mar. A vingar a “boataria”, cada vez mais forte na imprensa, neste 10 de março o Presidente Lula deve anunciar a escolha integral de um dos padrões internacionais para a TV Digital brasileira em detrimento de um modelo híbrido que contemplaria os interesses da nação. Os tucanos deixaram aos petistas a decisão sobre futuro da TV Digital brasileira. No lugar da simples escolha de um dos padrões existentes (americano, europeu e japonês), o atual Governo teve a ousadia de instituir o SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital), um consórcio de pesquisa e desenvolvimento de um modelo que atendesse aos interesses sociais, tecnológicos, culturais e econômicos da nação. O interesse social estaria atendido em um modelo que privilegiasse o quesito interatividade com o usuário, permitindo o uso de serviços digitais, possivelmente a internet, promovendo uma ação efetiva de inclusão digital sem precedentes. O econômico vai desde a independência integral de um padrão e seus royalties associados à possibilidade de um modelo exportável de TV Digital interativa, capaz de interessar grandes mercados emergentes com condição geográfico-sociais semelhantes às do Brasil. O tecnológico estaria na valorização da competência nacional, dando-lhe chance de consolidar, por exemplo, no campo do software (midlleware e aplicativos) e o cultural no estímulo à produção de conteúdo pela criação de um mercado próprio. Como diz o Prof. Dr. Luiz Fernando da PUC-Rio e Guido Lemos da UFPB, em carta endereçada aos ministros responsáveis pela definição: “enganam-se aqueles que pensam que a adoção de um padrão estrangeiro não afetará a produção de conteúdos” Ao conduzirmos o SBTVD, como Secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações durante quinze meses, adotamos a estratégia de manter abertas no leque de alternativas, mesmo a de que o modelo brasileiro de TV Digital viesse a convergir para uma das tecnologias já consolidadas, se tal se demonstrasse convergente com nossos interesses. O que jamais contemplamos foi a possibilidade de adotar de forma dependente e subalterna a integralidade de qualquer desses padrões. Preservar um espaço para a contribuição tecnológica nacional e para, quando menos, a adaptação da tecnologia aos nossos interesses e necessidades, e a um parti pris lógico irrevogável. O SBTVD, ao contrário do SIVAM, decidido à revelia da inteligência nacional, é um sucesso de planejamento e implementação que seduziu a academia de norte a sul do País de Monteiro Lobato. São mais de 1.500 pesquisadores e 80 instituições de P&D verde-amarelas que acreditaram numa solução híbrida para a TV Digital brasileira, que contemple em sua arquitetura os interesses nacionais acima citados e, sem xenofobia, os subpadrões internacionais estabelecidos, a exemplo do Tucano, Bandeirantes e outros bichos voadores que precisam de turbinas e parafusos importados para serem competitivos e assim contribuírem para o PIB e orgulho nacionais. Assim, que interesses poderiam levar o Governo que teve a audácia de empreender um tal esforço ao arrepio de interesses e pressões vir a renunciar à oportunidade de uma nova Embraer da tecnologia da informação? Lembro-me do Dr Ozires Silva, um dos convidados ao nosso Fórum mensal sobre Política Industrial em Telecom, ao comentar as dificuldades no lançamento do Tucano. O Seu Zé do açougue, Dona Maria da bodega, o Seu Reimundo,vigia, podem não entender muito de tecnologia, política e outros chantilis. Talvez não sejam até capazes de compreender este artigo, mas que ninguém duvide! Seu Zé, dona Maria e seu Reimundo, da mesma origem humilde de nosso presidente eleito, que entendem muito bem a importância de uma Petrobrás, de uma Embraer, de uma Embrapa, entenderão o ralo ao qual será jogada uma oportunidade histórica, caso o Governo Lula decida pela adoção integral de um dos padrões internacionais de TV Digital. Já que os políticos não têm conhecimento de causa, espera-se da academia, esta que apesar de prestigiada no SBTVD manteve-se calada até agora, exceto em raros momentos, solte logo os “cachorros” para que não se concretize neste 10 de março a lição do poeta: “se foi pra desfazer por que é que fez”! Mauro Oliveira - Doutor em Informática, foi Secretário de Telecomunicações do MINICOM até setembro/2006. Tarcísio Pequeno - Doutor em Ciência da Computação, foi Secretário Regional da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

sábado, 11 de março de 2006

A vitória da Vila Isabel e a unidade latinoamericana

Tiarajú Pablo

A vitória da escola de samba Unidos de Vila Isabel no carnaval carioca, ratificada na apuração da quarta-feira de cinzas, pegou muita gente de surpresa. Desbancando às favoritas Mangueira, Beija-Flor e a até a injustiçada Unidos da Tijuca, as notas e a aclamação popular premiaram aquela que em todo período pré-carnavalesco era tida apenas como “uma escola de tradição mas um pouco escondida”. Para muitos lutadores do povo, o tema sobre a integração latinoamericana chamou a atenção e empolgou mais pelo lado político que pelo lado sambístico. Certo é também que muita gente da esquerda só ficou sabendo do enredo após a vitória da Vila. Pois bem, meus queridos, como diria Noel Rosa, o poeta maior desse bairro cheio de encantos, “a Vila não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”. E foi isso que fez. E quem pensa que a ajuda venezuelana politizou a escola, dando a entender que a Vila tivesse sido usada, como andaram falando por aí, é porque não sabe nada de samba, e nem procurou saber. Em 1980, em plena ditadura militar, a Vila Isabel, com um maravilhoso samba de Martinho da Vila, pregava aos quatro cantos e quatro ventos “a prisão sem tortura” num enredo que cantava os sonhos da humanidade. Em 1984, o enredo Pra Tudo se Acabar na Quarta Feira cantava a poesia e a dor de se viver no morro, de ser pobre num país tão rico, tendo a possibilidade de dar vazão a cacos de felicidade apenas no carnaval. Numa crescente, a escola em 1987 consegue o 5º lugar falando da lenda de Maíra, baseando-se na obra de Darcy Ribeiro para cantar uma das páginas mais belas da cultura indígena de nosso país. O samba de Martinho da Vila nesse carnaval até hoje é único. Inovador, o poeta fez um samba-enredo sem rimas, surpreendendo e colocando-se no pantheon dos insuperáveis. Em 1988 veio o ápice. No ano em que se comemorava o centenário da abolição da escravatura, o enredo “Kizomba, a festa da raça”, de Martinho da Vila apresentou a luta e resistência do povo africano escravizado, em congraçamento com todas as etnias e cores que conformam a raça humana. O samba de Luis Carlos da Vila é imortal. Todo em tom menor, sofrido e raivoso, muda de tonalidade para maior na chegada do refrão, como que pedindo paz e justiça, refrão que diz assim: “vem a lua de Luanda/para iluminar a rua/ nossa séde é nossa sede/ de que o apartheid se destrua”. A menção à séde fazia sentido, pois a escola não tinha um local de ensaio e preparava seu carnaval numa garagem de ônibus emprestada. Pra quem não sabe, a Unidos de Vila Isabel, sempre foi uma escola pobre, pé no chão, raçuda, bonita. Naquele ano apresentou-se cheia de palha e madeira, cantando o samba e evoluindo graciosa e cheia de vontade. Na simplicidade, em contraposição ao luxo das rivais, foi agraciada com seu primeiro titulo no ano do centenário. Pura Kizomba. Mas a saga politizada da Vila não parou por aí, em 1989, o enredo sobre a declaração universal dos direitos humanos acusava as promessas não cumpridas pelo iluminismo. Diz a letra: “a declaração universal/não é um sonho, temos que fazer cumprir/a justiça é cega mas enxerga quando quer/já está na hora de assumir”. Em 1990 clamou por reforma agrária, com o belíssimo enredo “Se esta terra fosse minha se esta terra”. A letra, épica, mostra a aventura dos deserdados da terra, mas não vou citá-la aqui, quem quiser que a procure e terá uma bela surpresa, assim como não citarei a letra do ano de 1992, quando a escola virou a história oficial do avesso com o enredo: “A Vila vê o ovo e põe as claras”, denunciando a matança indígena realizada pelos europeus, naquele que era o ano 500 do “descobrimento”. Tal ousadia custou caro, pois a escola ficou a uma posição do descenso. Em 1993 uma lenda africana foi o tema. Em 1994 o próprio bairro, e o samba é um dos mais bonitos da história do carnaval: “desperta Seu China/acorda Noel/pra ver a nossa escola/desse branco e azul do céu”. Em 1995, no enredo que homenageava o Rio Grande do Sul, a escola foi a única que alguma vez citou nominalmente o líder indígena Sepé Tiarajú, protetor da terra, como diz o samba. Como se vê, os enredos sociais da escola, não são de hoje e, diferentemente de outras, a Vila não foi nunca um pêndulo, pois coerência ideológica é o que menos se pode esperar de uma escola de samba. A Grande Rio, por exemplo, que em 1998 homenageou Luis Carlos Prestes (pouca gente lembra), em 2005 vendeu seu enredo para a Nestlé. A Beija-Flor que na década de 70 defendia os governos militares, em 2003 anunciava uma revolução popular num enredo sobre a fome. E por aí vai. Estes são apenas dois exemplos, mas poderiam ser trinta, e com as mais diferentes escolas de samba. Mas a Vila não, a Vila sempre teve uma sensatez banhada pelas dificuldades que sempre enfrentou. Em 2000, com outro enredo sobre os índios, a escola caiu do grupo especial, para onde só voltou em 2005, para já no ano seguinte, este 2006 que atravessamos, ser a legitima campeã. O enredo sobre a unidade latinoamericana é na verdade uma continuidade dos inúmeros enredos sobre negros e índios que a escola sempre defendeu. Enfim, explorados em geral. O casamento desta vereda social histórica da escola com a experiência venezuelana atual não é mero acaso. Ambas, Vila e Venezuela, têm no povo sua figura principal, artífice das mudanças e construtor da história. Sempre à frente em suas iniciativas políticas, o governo da Venezuela deixa a oposição em polvorosa, perdida, seja no Brasil, na Venezuela ou onde quer que for. Pra se contrapor, ou tentar acompanhar, estes terão que fundar uma Unidos dos Esquálidos, mas acredito que a falta de malemolência e a distância dos instrumentos musicais fará essa escola desafinar e atravessar o samba. Assim como a Vila propôs a união das cores, a Venezuela propõe a união dos povos latinoamericanos. E ambas juntas demonstram que por meio da cultura popular, do saber imortal do samba, neste caso, latinoamerisamba, é mais fácil passar a mensagem, tocar mentes e corações, muito mais que livros, discursos, etc, da mesma forma que se aproveita da brecha deixada pela imagem televisiva, ainda que esta tente boicotar. Agora, no transporte público, nas esquinas e nos comentários do dia-a-dia, o povo já fala de Bolívar com mais propriedade, na linguagem que lhe é própria, porque a Vila Isabel com o samba, e Carlitos Tevez com o futebol, fizeram muito, mas muito mais pela integração latinoamericana que acordos comerciais e militontos verborrágicos.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Contra o Comércio de Peles

E ninguém me falou que o link não entrava!!! Tá arrumado! Ai, gente, desculpa o sumiço. Mas não sei quando ele vai acabar não. Bom, para hj vai um abaixo assinado. Eu to sem tempo e sem pc NENHUM!! Nem no trabalho! Ai, meu Deus! Bom, é isso. Ah, valeu pelos comentários. Depois eu os comento. Té mais! Trata-se de uma petição para acabar com a matança cruel e bárbara de milhares de animais, explorados pelo comércio de peles. Temos 50.000 assinaturas e precisamos de 75.000 até o dia 05 de março. Por favor, assinem e repassem.... ... Tudo pelos animais... Trata-se de uma petição para acabar com a matança cruel e bárbara de milhares de animais, explorados pelo comércio de peles. Temos 50.000 assinaturas e precisamos de 75.000 até o dia 05 de março. Por favor, assinem e repassem.... ... Tudo pelos animais... Contra o comércio de peles!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Não é só o Hamas que tem de mudar

Engraçado que a Globo ,os EUA e todos que têm seu cérebro já tomado por suas idéias só consideram terrorismo o que vem dos palestinos. Dos israelenses não. Que coisa, não? Ainda bem que tem mais gente que pensa assim e escrve sobre isso!

Não é só o Hamas que tem de mudar

Luiz Eça Do site Correio da Cidadania O Hamas deve renunciar ao terrorismo, desarmar-se e reconhecer o estado de Israel. Parecem justas as exigências da Comunidade Européia, dos Estados Unidos e de Israel para o aceitarem como interlocutor na discussão do futuro Estado palestino. Mas não é bem assim. Para não haver parcialidade, Israel deveria também renunciar ao terrorismo de Estado que vem praticando através dos “assassinatos seletivos”, com sua Força Aérea e o Mossad, eliminando árabes considerados terroristas perigosos. É uma reedição do “esquadrão da morte”. O governo israelense assume as funções de polícia, promotor público, juiz e carrasco, num processo absolutamente contrário ao Direito dos povos civilizados, no qual o réu não tem chance de defesa, os suspeitos viram criminosos e pessoas sem culpa podem pagar por erros de investigação. Sem falar nas muitas vítimas inocentes cujo único “crime” foi estar no lugar errado, como aconteceu no assassinato de Sadah Sihata, líder do Hamas, quando foram mortos também 15 civis, inclusive 9 crianças. Por tudo isso, a ONU condenou expressamente esta estranha política do governo de Israel, exigindo que ele a interrompesse. Não foi obedecida e o veto americano garantiu as transgressões dos seus fiéis aliados. Não se entende também por que o governo de Israel exclui qualquer tipo de conversação com o Hamas por ele ser terrorista. Afinal, não tem muita autoridade para isso. “Nem a moralidade judaica, nem a tradição judaica podem negar o uso do terror como meio de batalha”, justificava um texto do movimento judaico Lehi, que, em 1947, durante as lutas pela formação do Estado de Israel, praticava atentados terroristas contra os árabes e os ingleses, governantes da Palestina sob mandato da ONU. O Lehi (também chamado gang Stern) tem na sua folha corrida ações assim: - assassinato do Conde Folke Bernadotte, mediador da ONU entre árabes e judeus, e de Lord Moyne, embaixador especial inglês no Oriente Médio; - destruição da aldeia árabe de Der Yassin (então excluída de ações bélicas por um pacto árabe-judaico), com o massacre de cerca de 120 pessoas, inclusive mulheres e crianças; - envio de cartas-bombas a políticos ingleses. Por sua vez, outro movimento terrorista judaico, o Irgun Zvai Leumi, foi responsável por 200 atentados contra árabes e ingleses, entre os quais o enforcamento de dois sargentos britânicos em represália à execução de um militante que explodira um ônibus cheio de árabes. Foi o Irgun quem explodiu o hotel Rei Davi, onde estava instalada a administração inglesa, matando 200 pessoas, entre elas muitas mulheres e crianças. Em 1948, com o estabelecimento do Estado judeu, os militantes do Lehn e do Irgun integraram-se no exército do país. É importante lembrar que seus chefes eram personalidades do establishment político, como, por exemplo, Menachen Begin e Yiztwakh Samir, que, posteriormente, chegaram a primeiro-ministro pelo Likud, partido direitista. Se as potências dominantes quiserem ser justas, devem exigir que tanto judeus quanto árabes renunciem formalmente a seus respectivos terrorismos. Ou que não se considere isso como pré-condição para as partes se reunirem na discussão da paz, mas como um dos objetivos finais a serem alcançados. Claro, é necessário cessarem os atentados desde logo. A segunda exigência dos países ocidentais será atendida facilmente. O Hamas já declarou que pretende dispensar seus militantes armados simplesmente integrando-os no exército palestino a ser formado. Como, aliás, o Irgun e o Lehi fizeram em 1948. Mas ainda subsiste um ponto importante, aparentemente um nó. Como os judeus podem sentar-se à mesa de negociações com membros de um grupo contrário à existência do Estado de Israel? Bem, deveriam ser mais compreensivos. Eles também não querem um Estado palestino. Em 16 de fevereiro de 2004, Ariel Sharon afirmou que Israel jamais entregaria os principais assentamentos na Cisjordânia para um futuro país palestino. Na semana passada, o atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, foi mais explícito: “Nós conservaremos os maiores blocos de assentamentos (na Cisjordânia) e manteremos Jerusalém unida”. Acrescentou ainda que os dois lados do rio Jordão continuariam território israelense. Com estas anexações, o Estado palestino ficaria inviável, totalmente cercado por Israel e sem fronteiras com os países vizinhos. Um autêntico bantustão. Não há muita diferença entre não aceitar um país ou só aceitá-lo emasculado. De qualquer maneira, o Hamas já deu sinais claros de que sua pregação de “delenda Israel” não é mais pra valer. Sequer mencionou este ponto na sua campanha eleitoral. E Ismael Haniya, um dos seus principais líderes, foi muito claro ao declarar em entrevista a jornal grego: “Será que alguém acredita que nós poderíamos usar nossas armas para destruir um país que tem F-16s (moderno avião americano) e 200 armas nucleares?”. No momento, a situação ainda está tensa. As ameaças de cortes de ajuda feitas pela Comunidade Européia e pelos Estados Unidos e de retenção de taxas alfandegárias (dinheiro que legalmente é dos palestinos) feitas por Israel não ajudam a acalmar os homens do Hamas. Mas os elementos mais equilibrados devem prevalecer. O Hamas sabe que foi eleito pelos programas sociais que presta à carente população dos territórios. Ela lhe deu a vitória na esperança de que, no poder, o Hamas teria muito mais condições de promover o bem estar geral. Sem a ajuda financeira ocidental isso será impossível. E não se deve contar com grandes desembolsos dos países árabes. Eles estão interessados no fim da questão palestina. Com isso, o pragmatismo deve acabar abrandando o Hamas. Ele, aliás, já abriu uma porta para as negociações. Embora jurando ódio eterno a Israel e terrorismo sem fim, afirmou que aceitaria uma trégua de 10 anos. Mais difícil será fazer com que Israel entre por esta porta. O candidato do Kadima, Olmert, parece vitorioso nas próximas eleições. Fortalecido, não terá motivos para abandonar as políticas de Sharon: o muro na fronteira, os assassinatos seletivos e o unilateralismo no desenho das fronteiras de Israel. Não haverá paz assim. Pelo contrário, só tornará o Hamas mais violento. Caberá aos 4 países mediadores do conflito pressionar Olmert para fazer concessões que permitam a volta à mesa das negociações. Como o mais poderoso deles, os Estados Unidos, não é neutro, não se deve esperar muito dessas pressões.