domingo, 20 de junho de 2010

Copa do Mundo 2010

Bom, como não vi a abertura da copa, estava aqui, caçando pela internet, as imagens do início da copa na África. Eis então que encontro muita coisa interessante. E, como não podia deixar de ser, preciso compartilhá-las!
O primeiro vídeo diz respeito a um conteúdo para os meus alunos das quintas séries, especialmente, e para quem ainda não conhece os tuareg, os homens azuis do deserto. É uma sociedade bem interessante, haja visto que são nômades e liderados pelas mulheres. Inclusive, como pode ser notado no vídeo, quem usa "panos" para cobrir o rosto são os homens e não as mulheres, como nos parece mais comum. O nome "homens azuis" faz alusão ao véu que lhes imprime esta cor. O nome do grupo é Tinariwen e o vídeo não pode ser incorporado ao post. Por isso, para vê-lo, clique aqui.

Outro vídeo muito interessante é o da propaganda da pepsi. Muuuuito criativo. Sensacional.




A penúltima citação diz respeito à história da copa. Com os cartazes de todas as copas do mundo, percebemos os acontecimentos históricos e territoriais da nossa sociedade. Vale muito a pena clicar aqui e ver!


E por último, a melhor tabela da copa de 2010! Vale muito a pena clicar aqui e conferir!

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Sociedade Hipócrita e a Educação

Quando perguntam nas ruas qual é o setor que deveria ser mais valorizado pelos governantes, qual é a primeira resposta que vem à cabeça? "EDUCAÇÃO"
Mas aí, quando você fala que é professor, que está lutando por uma EDUCAÇÃO melhor e por uma SOCIEDADE melhor - e mais justa - o que esses fdp te falam? Vamos lá:

"Ah, tadinha, sai dessa vida" "Nossa, como é que você aguenta?" "Ah, vai vai fazer outra coisa que te dê dinheiro" Acompanhado daquele pensamento de que essa profissão é para os piores. Para os bons tem a engenharia, o direito, a arquitetura, etc.

Como se o que eu faço não merecesse respeito. Como se o que eu faço não fosse uma PROFISSÃO, como TODAS as outras (e talvez a mais importante, SEM HIPOCRISIA), e não um motivo de DEPRECIAÇÃO.

Aí, eu pergunto: Cadê a maldita valorização que cobram dos governantes, seus hipócritas? Chega de ignorância! Chega de gostar de ser enganado, chega de ser corrupto no seu dia-a-dia! Vira e mexe um aluno vem me dizer "te pago tanto pra você me dar nota". Onde é que ele aprendeu isso? Se até uma criança já pensa em corromper suas mínimas ações Do dia-a-dia, imagine que adulto a gente vai ter! Aí, a sociedade vira o que a gente vê por aí e a culpa é de quem? Do professor, é claro!

Temos governos que só nos massacram, e que levam a sociedade a nos massacrar também! E aí, sociedade, cadê a nossa valorização QUE vocês cobram DOS GOVERNANTES? Cadê o apoio aos que ficam cinco, seis horas com seus filhos? Quando é que vocês vão parar de nos ver como inimigos e como coitados e vão resolver nos apoiar na construção de um país mais digno e MAIS HONESTO? Tá bom, eu sei, vocês não querem um país mais honesto. Por que isso te obrigaria a SER MAIS HONESTO. Você iria ter que parar de pagar propina, suborno ou aquela "caixinha" pro policial que viu alguma irregularidade sua. Então, o que fazem? Deixam as coisas como estão, desde que tenham alguém para dividir a responsabilidade de criar seu filho, algum lugar para deixálo o dia todo (aí, tudo bem, não precisa de mais nada!). Aí, quando as coisas derem errado, a culpa não será sua, mas da escola. E das más companhias, que ele adquiriu onde? Na escola.

A escola não é um outro planeta, SOCIEDADE HIPÓCRITA, é fruto das SUAS ações. E, enquanto vocês continuarem gostando de ser enganados, de terem preguiça de pensar e de questionar o que escutam na mídia e de quererem ter o direito de "dar o jeitinho brasileiro", a escola vai continuar desse jeito. E até piorar.

Continuem tratando o professor como vocês tratam. Continuem votando em quem nos trata do mesmo jeito. Vocês estão fabricando professores com ódio, rancorosos, desmotivados e sem esperança nenhuma de melhora. Aí, quem é que vai lutar por país mais justo? E como é que os SEUS filhos irão ser educados, FORMADOS? Se você já tem filhos grandes, isso não faz diferença, não é mesmo? E, se tem filhos pequenos, acha que maltratando os professores é que se resolve alguma coisa. Continuem fazendo o papel que os ricos querem, de apoiar essa política suja de sucateamento da escola pública e de apedrejamento do professor.

Então, vamos ver como estará a nossa sociedade, que SEMPRE PASSA PELAS MÃOS DESSES PROFESSORES QUE VOCÊS ADORAM MASSACRAR, daqui a uns cinquenta anos. E vamos ver se, até lá, ainda haverão esses profissionais que só servem para serem os culpados ou os coitados. E quando um professor extravasa as agressões morais e físicas que sofre no dia-a-dia ele é tachado de LOUCO. É realmente uma loucura o que a gente passa na sala de aula e fora dela.

Ainda tenho vontade de lutar por melhorias. Ainda faço GREVE sim, por que é o único jeito de mostrar meu descontentamento com tudo isso e também o único jeito de alguma coisa ter a possibilidade de melhorar, mesmo tendo um chefe (Governador do Estado de São Paulo) que trata a nossa greve como na ditadura (já temos 3 ou 4 professores presos por protestarem, cortam nosso salário contra a lei de greve e não quer negociar). É o que eu sempre digo para os meus alunos: ficar reclamando na frente do Jornal Nacional é muito fácil. Difícil é ir à luta por melhorias. Difícil é querer um país mais justo e mais HONESTO. Não é mesmo SOCIEDADE HIPÓCRITA?


Priscilla D. Merhy, professora do Estado de São Paulo, que escuta todo dia DA SOCIEDADE acomodada e hipócrita barbaridades sobre a sua profissão e sobre a greve que faz há 15 dias (um exemplo desses absurdos pode ser lido clicando-se aqui).
Só pra lembrar, greve é direito constitucional (art. 9°), tá SOCIEDADE?

domingo, 22 de novembro de 2009

Apartheid Cultural

Apesar dos avanços na produção cultural, o racismo ainda persiste nas entrelinhas



O maior salário de Hollywood é de Will Smith. Oprah Winfrey é uma das vozes mais respeitadas da televisão estadunidense. A Disney estreia em dezembro sua primeira protagonista negra. Aqui, no Brasil, Taís Araújo também é a primeira negra a protagonizar uma novela da Rede Globo em horário nobre. Nos cinemas, está em cartaz Besouro, filme sobre o lendário capoeirista baiano, cujo elenco principal é formado por negros. Como se vê, finalmente a indústria cultural parece abrir mais espaço para artistas afro-descendentes no Brasil e no mundo. Mas será que isso significa uma diminuição do racismo?



O cineasta João Daniel Tikhomiroff, diretor de Besouro, viu que, infelizmente, o preconceito ainda é grande por parte da elite financiadora de produções culturais nacionais. Seu filme é inspirado no livro Feijoada no Paraíso, de Marco Carvalho, sobre o famoso capoeirista baiano da década de 1920 que, segundo a lenda local, se valia da capoeira e de poderes paranormais para combater fazendeiros escravagistas. Besouro Mangangá é citado em músicas de capoeira e também por Jorge Amado, no livro Mar Morto, de 1936. Quando procurava parcerias para financiar seu filme, cujo heroi e 90% do elenco seriam negros, Tikhomiroff esbarrou na resistência racista. “Chegaram a me perguntar se o protagonista não poderia ser branco. Se o Besouro não poderia ser branco! Fiquei chocado com essas posturas”, lamentou o diretor, em entrevista ao site Omelete.



A princesa e o Sapo



A Disney finalmente produziu uma animação cuja protagonista é uma princesa negra. Em dezembro, estreia A Princesa e o Sapo



Há avanços, é verdade. A Disney, por exemplo, cujo símbolo de beleza é a Branca de Neve, estreia em dezembro a animação A Princesa e o Sapo, primeira produção com uma protagonista negra. No Brasil, a Globo também parece ter se rendido à necessidade e escalou atrizes negras e afro-descendentes para protagonizar três das quatro novelas no ar – Malhação, Cama de gato e Viver a vida. Taís Araújo é a primeira negra a fazer o papel principal de um folhetim no horário nobre, embora a personagem de Camila Pitanga ainda esteja presa ao estereótipo de faxineira.



Nos Estados Unidos, Will Smith recebe cerca de 20 milhões de dólares quando estrela uma superprodução. Também Samuel L. Jackson, Jamie Foxx, Morgan Freeman e Eddie Murphy são atores com salários altíssimos e que arrastam multidões aos cinemas. Em 2002, a atriz Halle Berry ganhou o Oscar de melhor atriz (por A última ceia), quebrando um tabu de 74 anos de premiações para mulheres brancas. Mas, apesar do sucesso alcançado pelos artistas negros no cinema estadunidense, o cineasta e jornalista João Moreira Salles avisa que ainda há uma imensa barreira a ser quebrada em Hollywood: não existe relação amorosa entre personagens brancos e negros.



Dossiê Pelicano



Hollywood ainda não “permite” a relação amorosa entre protagonistas brancos e negros, caso do filme O Dossiê Pelicano, em que os personagens de Denzel Washington e de Julia Roberts não se apaixonam no final



Em artigo publicado na edição de fevereiro de 2009 da revista Piauí, Salles (que já esteve no Cursinho da Poli em 2004) lembra que, nos filmes, as namoradas, esposas ou casos amorosos dos principais astros negros – Will Smith, Jamie Foxx, Eddie Murphy, Samuel Jackson, não importa – são sempre mulheres negras. Quando o filme traz uma atriz branca e um ator negro, o relacionamento amoroso não se concretiza, caso do longa-metragem O Dossiê Pelicano, de 1993, em que o jornalista interpretado por Denzel Washington e a estudante de direto estrelada por Julia Roberts trabalham juntos contra uma conspiração. No fim do filme, contrariando a fórmula hollywoodiana, eles não ficam juntos. “Denzel Washington não tem o direito de se envolver com Julia Roberts. Se o papel fosse de Richard Gere, por exemplo, seria inconcebível supor que os dois não acabassem se apaixonando. Mas negros não podem tomar para si mulheres brancas, salvo em filmes militantes e independentes como os de Spike Lee – e, mesmo nesses casos, o sexo interracial não é um acontecimento banal da vida, mas o centro da trama narrativa”, teoriza Salles. É praticamente um apartheid cultural. E uma posição machista, também, porque, afinal, o inverso acontece: homens brancos podem se relacionar com mulheres negras, como se vê em clássicos como O guarda-costas (1992) ou em produções premiadas como A última ceia (2001). Vale lembrar que as séries televisivas estadunidenses – que costumam fazer muito sucesso por aqui – reproduzem a mesma armadilha. Há diversos programas cujos protagonistas são famílias negras (Eu, a patroa e as crianças, Todo mundo odeia o Chris, Um maluco no pedaço etc.), mas praticamente não há convivência interracial.



Taís Araújo



Taís Araújo é a primeira negra a fazer o papel principal de uma novela da Globo no horário nobre



E nossa televisão nacional também não é um exemplo de igualdade entre brancos e negros, ou de valorização da cultura afro-brasileira. Nas novelas da Globo, se a história acontece no passado, os negros são apresentados como escravos; se se passar nos dias atuais, cabem aos atores negros papéis de empregadas domésticas, porteiros, motoristas etc. O professor de História do Cursinho da Poli Fernando Rodrigues lembra que os roteiros das novelas partem sempre de uma premissa que valoriza a cultura branca-americanizada-europeizada: “Minha crítica às novelas da Globo não é os atores negros serem sempre minoria no elenco, ou que o protagonista é sempre um branco, mas que as histórias narradas têm sempre uma perspectiva pequeno-burguesa, de afirmação social pela matéria. Eu queria ver uma novela de época que se passasse inteiramente num quilombo, ou que o personagem central, nos primeiros capítulos da trama, viajasse por Serra Leoa ou pelo Quênia, na África, e não pela Europa, como costuma acontecer nas produções globais.”



Extraído de http://www.cursinhodapoli.org.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Trabalho Petrobrás

Pro povo da sétima que não encontrou o link "Espaço Conhecer" no site. Como eu falei, está no canto INFERIOR DIREITO. Veja a seta. Clique na imagem para ampliá-la. E boa sorte.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DPs 2009

Para os "perdidinhos", que perderam as folhinhas com o conteúdo de DP, que eu fiz tão carinhosamente. Pra vocês, uma colher de chá, vai! A data do terceiro bimestre, óbvio, não é a que está na folha. E, por favor, leiam os trabalhos de vocês para fazerem a prova. Para visualizar melhor, é só clicar na figura. Boa sorte.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vídeos sobre Industrialização

Vídeo introdutório e sobre a greve de 1917, passado aos alunos do 2° ano do Ensino Médio:



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Geopolítica - EUA

Os dois 11 de setembro. Um nos EUA e o outro no Chile: Jornal Nacional de 11 de setembro de 2001: Parte de um filme que conta sob 11 perspectivas os "atentados terroristas" provocados peos EUA:

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mapa de São Bernardo do Campo

Olá! Aqui vai o mapa de São Bernardo do Campo, para ser usado em atividades da sexta-série. clique em cima para ampliá-lo. Qualquer coisa, entre em contato comigo, por e-mail ou orkut - msn eu tenho entrado muuuuuito pouco. beijinhos fonte: http://media.photobucket.com/image/mapa,%20municipio,%20sao%20bernardo,%20area%20rural/thgteixeira/mapas/divgeo.jpg

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Não é o fim do mundo

José Bueno Conti,

climatologista brasileiro

O professor comenta as mudanças climáticas no mundo

Por: Gustavo Klein

Furacões na América do Norte, seca na Amazônia, efeito estufa e aquecimento da Terra são assuntos abordados pelo professor José Bueno Conti, da USP. Ele garante que não há motivo para se alarmar, porque todos esses fenômenos naturais são perfeitamente explicáveis sob o ponto de vista científico.

Professor decano do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, José Bueno Conti é especializado em clima, matéria que leciona há 40 anos na mesma universidade. Ele não compartilha da visão apocalíptica que tem sido comum quando se fala do aquecimento do globo e garante: todos os fenômenos naturais que têm acontecido – furacões, derretimento das calotas polares e ressacas mais fortes – fazem parte de um processo natural e cíclico, pelo qual o mundo já passou várias outras vezes. E faz um alerta: no lugar de um aquecimento extremo, há chance de o mundo estar caminhando para uma nova era glacial.

Furacão Katrina, seca do rio Solimões, picos de calor em países de clima mais frio, derretimento das calotas polares. O cenário parece ser de caos. Esses eventos devem ser observados de forma isolada ou fazem parte de um mesmo fenômeno de aquecimento global?

Conti: Todos esses fenômenos são classificados não como parte de mudança climática, e sim como variabilidade do clima. São excepcionalidades climáticas, eventos isolados. Esperados, aliás. E normais: a cada três ou quatro décadas ocorrem essas variações. No caso do rio Solimões, por exemplo, as águas já chegaram, em um passado recente (1998), a níveis ainda menores que os de hoje, que foram amplamente divulgados pela imprensa. Então, esses fatos, para os estudiosos sérios, não são nada surpreendentes. Em 2003, por exemplo, houve um verão particularmente muito quente na Europa ocidental, com ondas de calor em Paris e em Berlim, que matou idosos, inclusive. Atribuiu-se imediatamente ao aquecimento global. Foi muito sério, claro, mas ninguém questionou, entretanto, o porquê de o fenômeno ter acontecido apenas na Europa ocidental e apenas em 2003, e não ter se repetido em 2004 ou 2005. Quem estuda as condições do tempo sabe que nunca se encontra dois anos em sequência que sejam iguais. Para se ter uma mudança de perfil climático comprovada, é preciso que aconteça uma série de, no mínimo, 30 anos seguidos. O resto é, em primeira análise, sazonal.

E o derretimento das calotas polares, também é sazonal?

Conti: Há áreas de gelo da Antártida que se expandem por milhares de quilômetros durante o inverno antártico e que, depois, no verão, recuam. É um movimento sazonal. Tem se constatado, nos últimos anos, que algumas delas não são mais atingidas pelo avanço da calota de gelo no inverno. A partir daí levantou-se a suspeita de que poderia estar acontecendo um aquecimento do globo, com consequências importantes na questão ambiental, econômica, demográfica e na elevação do nível dos oceanos. E aí haveria invasão das áreas costeiras, que ficariam submersas.

O tempo do verbo utilizado mostra que o senhor não é partidário dessas teorias catastróficas. É isso mesmo?

Conti: Pois é. Eu, sinceramente, às vezes me sinto tentado a alimentar tudo isso, a falar, nas minhas aulas, que essas teorias de fim do mundo que estão sendo alardeadas são verdadeiras. Isso poderia despertar uma consciência, ainda que tardia, a respeito da preservação do meio ambiente, que considero válida e mais do que necessária e urgente. Só que não são verdadeiras, ou, pelo menos, não há comprovação de ligação entre alguns fatos isolados e o aumento da temperatura do planeta. Não acho que existam motivos para se trabalhar com cenários apocalípticos, pelo menos em um prazo médio.

Sua opinião é diametralmente oposta à da maior parte dos ambientalistas. O senhor tem consciência de que sua posição é polêmica?

Conti: Em termos. Não sou contra medidas que ajudem a preservar o meio ambiente, pelo contrário, acho que é bom que se proteja a atmosfera da emissão de gases venenosos. Tudo isso tem um efeito educativo que só pode ser benéfico, é preciso realmente defender a natureza. Não concordo é com a onda catastrofista. Não a endosso do ponto de vista científico, acho que é equivocada, que a dimensão que lhe atribuem é exagerada.

Mas furacões recentes, como o Katrina, não têm um poder de destruição maior que os formados em anos anteriores?

Conti: Os furacões, sim, têm uma sintonia com o aquecimento global. Porque o furacão tropical, do gênero do que aconteceu em Nova Orleans, se origina sobre os oceanos aquecidos. Por isso sempre acontece nos mares junto aos trópicos. Admite-se que a temperatura que desencadeia um furacão gira em torno dos 28o C. Quando o calor do mar chega a esse nível a chance de um furacão se formar é maior. Com o aquecimento do planeta, essa temperatura é atingida com maior frequência, lógico. Mas furacões de grande potência são historicamente comuns. Em 1963, também houve um fortíssimo na mesma Nova Orleans, chamado Camile, que matou muita gente. Ninguém ainda falava de aquecimento global nessa época.

Que outros fatores poderiam desencadear isso, então?

Conti: Fatores locais. No caso dos furacões, podem ser correntes oceânicas que levaram águas mais quentes a regiões mais amplas. A temporada deles acontece de agosto a novembro, justamente no período do fim do verão, em que os mares estão mais aquecidos no hemisfério norte inteiro. Agora, veja: não é só no Golfo do México que se originam os furacões. Eles estão se formando também no Golfo de Bengala, na Índia, nas Filipinas, no mar do Japão... são áreas tradicionalmente atingidas por eles. Este ano, não há notícias de eventos relevantes em outras regiões que não a da América do Norte e Central. Isso leva os cientistas à seguinte indagação: se o fenômeno do aquecimento é planetário, por que acontece especificamente em uma região? Voltando ao Solimões, pode-se usar a mesma lógica: se a seca é reflexo de aquecimento, por que está acontecendo apenas nele, e não no Tocantins, ou nos rios africanos que ficam na mesma latitude?

Mas, afinal, a temperatura está aumentando ao ponto de ameaçar a integridade da vida no planeta?

Conti: Um programa criado pela ONU avaliou que, ao longo do século 20, a temperatura média do globo aumentou cerca de 0,7o C. Isso porque a temperatura média do planeta é estimada em 15o C e, hoje, já estaria próxima dos 16o C. Mas esse é um dado muito abstrato, um referencial para toda Terra. Isso varia enormemente e há alguns pontos em que se tem constatado o contrário, uma baixa na temperatura.

Este aumento da temperatura não estaria se acelerando?

Conti: Esse estudo mostra que até os anos 70 houve um aumento regular e, a partir de então, acentuou-se. É muito provável, então, que nos próximos 100 anos este acréscimo não seja apenas de 0,7o C, seja maior.

Tal aquecimento, então, é fato comprovado. Não irá provocar, certamente, aumento do nível dos oceanos decorrente do derretimento das calotas polares? Que efeito isso pode ter em cidades litorâneas, como Santos, que tem registrado ressacas mais fortes nos últimos anos?

Conti: Há muita previsão catastrófica por aí. Um estudioso francês publicou recentemente um trabalho que propõe hipóteses particularmente inquietantes. Uma delas é o aumento da média térmica do globo em até 4o C até 2050, o que desencadearia a elevação nos oceanos. Por esse cenário, uma lâmina de um metro de água invadiria zonas costeiras, e Santos não seria exceção, o mar chegaria até perto da serra. Mas isso é uma coisa espetacular, se levarmos em conta que nos últimos 100 anos, com toda a agressão, a temperatura aumentou 0,7o C. é uma hipótese muito pouco provável. Não há qualquer exemplo de região que tenha ficado submersa, nem aquele país chamado Maldivas, no sul da Índia, que é formado por ilhas chatas de apenas um metro acima do nível do mar.

Então o problema existe, efetivamente. Suas causas passam, mesmo, pelo efeito estufa?

Conti: Deve-se, antes de tudo, entender que o efeito estufa existe há muito, muito tempo. É o aprisionamento do calor na baixa troposfera, a camada inferior de ar, que são os primeiros três ou quatro quilômetros da atmosfera (ao todo, chega perto dos mil quilômetros). Sem o efeito estufa não haveria vida na Terra como conhecemos. As pessoas precisam entender que ele é muito mais benéfico do que nocivo.

Como funciona esse mecanismo de aprisionamento de calor?

Conti: Certos gases presentes na atmosfera têm a capacidade de deixar passar a radiação solar, o fluxo de calor que vem do sol. E a explicação disso passa por conceitos da Física: a energia se propaga em movimentos ondulatórios, com diferentes comprimentos de onda. A energia do sol chega basicamente em ondas curtas, proporcionais à sua alta temperatura. A onda curta tem um poder de penetração muito grande, entra fácil na atmosfera, apesar dos obstáculos, que são nebulosidade, vapor de água etc. Chega aqui metade do que chega no topo. Essa metade aquece o planeta, mas de forma desigual.

Por que desigual?

Conti: Porque as superfícies que recebem esse calor também são diferentes, e essa diferença é fundamental. A água, que ocupa 83% da superfície, absorve mais a radiação solar, e a terra, 27% da superfície, tem capacidade menor de aproveitar os raios. A terra reflete a energia. Aí é que entra o efeito estufa: essa parcela refletida volta para a atmosfera em ondas longas, porque a Terra tem uma temperatura média baixa. E as ondas longas têm muito menos poder de penetração. Qualquer obstáculo que encontram é suficiente para bloqueá-las. Nebulosidade, por exemplo. Ou ozônio, ou vapor de água, ou outros gases. São esses os fatores que provocam o efeito estufa. Esse calor refletido não encontra por onde ir embora, e fica aqui.

A maior parte destes gases é produzida pelo homem, não?

Conti: Não, e é aí que está o maior engano, algo que nunca é dito. O mais importante fator de bloqueio do calor é o vapor de água. A estimativa é de que 60% do efeito estufa seja provocado por ele. Ou seja, sobra 40% para todos os outros gases. Se eles não, ainda teríamos 60% do efeito estufa nos níveis atuais. Mas se se retirasse todo o vapor de água da atmosfera, a temperatura média do planeta cairia para algo próximo dos –18o C, ameaçando a vida no planeta.

Mas as emissões de carbono pelo homem não são, hoje, muito maiores? A atividade industrial não estaria lançando elementos estranhos na atmosfera?

Conti: O dióxido de carbono não é um elemento estranho, ele sempre fez parte da atmosfera, claro que em um nível menor e vindo de outras fontes. As queimadas, por exemplo, lançam muito dióxido na atmosfera. Mesmo a simples derrubada provoca, os troncos em decomposição emitem carbono. Quando se começou a medir a quantidade de CO2 na atmosfera, no final da década de 50, o número de referência era de 300 partes por milhão. Hoje está em 360 partes por milhão, em média, cerca de 20% maior, portanto.

A culpa, pelo que o senhor diz, não é do homem. O que provoca o aquecimento, então?

Conti: Alguns estudiosos defendem a idéia de que vivemos o momento de transição entre uma era glacial – que termina – e outra que está prestes a começar. Vivemos, provavelmente, o fim de um ciclo de aquecimento. Que vai chegar em um ponto e sofrer uma reversão. Esse aquecimento pode, claro, ser agravado pelos gases do efeito estufa, pela atividade industrial etc., mas a história do planeta está cheia de ciclos glaciais. Foram quatro glaciações, períodos de resfriamento e quatro de aquecimento do globo. Em algumas vezes, a calota de gelo chegou perto do Equador, recuou, no período interglacial, depois avançou outra vez. O último ciclo glacial se interrompeu há cerca de 10 mil anos, e o intervalo médio entre um e outro foi de, exatamente, 10 mil anos. Baseado nisso, pode-se se supor que estaríamos caminhando não para um aquecimento, mas para o contrário, uma nova idade do gelo.

A preocupação com o assunto vem de quanto tempo?

Conti: Isso não é novo, desde os anos 80 se fala no assunto. Tal preocupação levou a ONU a criar o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, há 17 anos. O objetivo desse programa era, primeiro, verificar se as mudanças estavam efetivamente ocorrendo e, posteriormente, monitorá-las, avaliar e, caso necessário, alertar a comunidade mundial sobre riscos iminentes e propor soluções que pudessem atenuar as possíveis consequências.

Essas soluções propostas passam pelo Protocolo de Kyoto?

Conti: Antes dele houve a Conferência do Clima no Rio de Janeiro, a Eco-92, que se reúne periodicamente. Foi em uma dessas reuniões, em 1997, em Kyoto, que se decidiu tomar medidas concretas para obrigar os países industrializados a reduzir a emissão de carbono e outros gases, como metano. O protocolo de Kyoto tem boas intenções, propõe que as emissões, em 2012, sejam 5% menores do que eram em 1990. Era preciso que 55% dos países industrializados o assinassem para que ele entrasse em vigor, coisa que só aconteceu recentemente, quando a Rússia, segunda maior poluidora (com 17%), aderiu. O calcanhar de Aquiles é que os Estados Unidos, responsável por 36% da emissão de carbono, disseram de saída que não iriam entrar, porque seria um golpe muito pesado em sua economia. Isso causou uma situação de perplexidade, mas não é sua única fragilidade.

Quais são as outras?

Conti: Não trata do vapor de água na atmosfera, obviamente. Não é possível ter controle sobre isso, claro. Essa evaporação é cinco vezes maior nos oceanos tropicais, mas a circulação atmosférica, de grande escala, distribui esse calor por todo o planeta. O protocolo de Kyoto não trata, portanto, de uma parcela significativa da causa do aquecimento, de 60% dela. Outro problema pode aparecer no futuro, pois a criação de áreas reflorestadas como forma de sequestrar carbono da atmosfera é benéfica em um primeiro momento, mas pode depois ter o efeito contrário: se essas áreas reflorestadas forem derrubadas daqui a três, quatro décadas, se tornarão fonte de emissão de carbono. É uma bomba-relógio.

Num cenário hipotético em que todas as emissões poluentes fossem cessadas, por quanto tempo o planeta ainda sentiria seus efeitos?

Conti: Esses gases (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso etc.) têm um tempo de vida muito longo na atmosfera. Alguns irão permanecer, até, por centenas de anos. A ação do Protocolo de Kyoto é limitada, nesses campos.

O petróleo, em um dia que não está tão longe assim, vai acabar. Que reflexos a mudança da matriz energética trará a esse cenário?

Conti: Isso é importante: a matriz energética tende a mudar em breve. No início foi baseada no carvão (século 19), agora é o petróleo. Quando houve a primeira crise do petróleo, na década de 70, os países industrializados começaram a investir em outras fontes de energia. Um exemplo foi o Proalcool aqui no Brasil – cerca de 90% dos veículos produzidos naquela época usavam o combustível vegetal. Claro que eles não investiram porque queriam a atmosfera limpa. Foi por causa da lei de mercado, o petróleo estava caro e eles precisavam de alternativas. Hoje as energias renováveis (hidroelétrica, eólica e solar) tem maior participação. E muito mais importância vão ganhar.

Quais delas são economicamente viáveis?

Conti: Hoje os Estados Unidos estão investindo pesadamente no biodiesel, o Brasil também. Fala-se no hidrogênio, na captação direta da energia solar para mover toda a atividade industrial, veículos. O grande problema é que são tecnologias pouco viáveis, ainda, do ponto de vista econômico, embora absolutamente possíveis pelo lado técnico. Mas não se iluda, a tendência é chegar lá. Uma hora os combustíveis fósseis serão abandonados e isso também trará efeitos posteriores na atmosfera.

domingo, 30 de novembro de 2008

Água: vida ou mercadoria?

Nossa, quanta correria. Faz um tempão que nem ligo o pc. Mas vamos lá, postarei aqui um texto que deve fazer um mês que eu li e fiquei super a fim de postar. Estava dando uma aula fofa de água e o consumo nosso de cada dia, assim como o consumo dos americanos e dos quenianos. A revista da nova proposta do estado me dizia para fazer uma aula a fim de calcularmos o consumo de água dos alunos, para saber para qual das duas realidades tendemos. "Aconselhava": peça as contas dos alunos e calcule, depois de algumas contas, qual o consumo per capita da sala. Ótimo, brilhante, mó legal. Seria perfeito se não fosse uma coisa: em algumas salas o povo não paga água. Aí, comecei a pirar na idéia da água como mercadoria. Encontrei então, o ótimo texto a seguir. Depois de lê-lo, fui ver seu autor. Não podia ser de outra pessoa mesmo. Leonardo Boff.

Água: vida ou mercadoria?

Leonardo Boff

O Popular, 20 de fevereiro de 2004 (Goiânia)

De Quarta-Feira de Cinzas até a Páscoa milhões de católicos pelo País afora estarão refletindo sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: Água, Fonte de Vida. Além de sua missão evangelizadora, a Igreja está assim reforçando a cidadania, pois ensina seus fiéis a pensar coletivamente e a se responsabilizar por um bem vital que é a água. O livreto distribuído aos milhares, além de dados sobre a questão, oferece subsídios espirituais e éticos bem fundados e apresenta indicações práticas de como cuidar da água. Nossos melhores especialistas, como Aldo da Cunha Rebouças, são aí arrolados. Vejamos os principais dados e o conflito de base que envolve a questão da água.

Há 500 milhões de anos, a quantidade de água é praticamente constante. 70% da superfície da Terra são cobertos de água: 97,6%, salgada e apenas 2,4%, doce. Dessa minguada porcentagem, 70% destinam-se à irrigação, 20% à indústria e somente 10% ao consumo humano. Entretanto, apenas 0,7% dos 10% é imediatamente acessível; o restante está nos aqüíferos profundos, nas calotas polares ou no interior das florestas. A renovação das águas é da ordem de 43 mil quilômetros cúbicos por ano descarregados nos rios, enquanto o consumo total é estimado em 6 mil quilômetros cúbicos por ano. Há muita água, mas desigualmente distribuída: 60% encontram-se em apenas 9 países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de 1 bilhão de pessoas consome 86% da água existente, enquanto para 1,4 bilhão é insuficiente e, para 2 bilhões, não é tratada, o que provoca 85% das doenças.

O Brasil é a potência natural das águas, com 13% de toda água doce do planeta, perfazendo 5,4 trilhões de metros cúbicos. Mas é desigualmente distribuída: 70% na região amazônica, 15% no Centro-Oeste, 6% no Sul e no Sudeste e 3% no Nordeste. Apesar da abundância, não sabemos usar a água, pois 46% dela são desperdiçados, o que daria para abastecer toda a França, a Bélgica, a Suíça e o Norte da Itália. É urgente, portanto, um novo padrão cultural.

Dois problemas têm criado o “estresse mundial da água”: sua sistemática poluição associada à destruição da biomassa que garante a perpetuidade das águas correntes e a falta generalizada de cuidado no uso da gota d’água disponível. Ensina Aldo Rebouças: é mais importante saber usar a gota d’água disponível do que ostentar sua abundância. Por ser um bem escasso, nota-se corrida desenfreada à posse privada da água doce. Quem controla a água controla a vida. Quem controla a vida detém o poder.

Surge então o dilema: a água é fonte de vida ou fonte de lucro? É um bem natural, vital e insubstituível ou um bem econômico e uma mercadoria? Os que apenas visam lucro, a tratam como mercadoria. Os que pensam a vida, a vêem como um bem essencial a todos os organismos vivos e ao equilíbrio ecológico da Terra. Direito à vida implica direito à água potável gratuita. Mas porque há custos na captação, tratamento, distribuição, uso, reuso e conservação, existe inegável dimensão econômica. Mas esta não deve prevalecer sobre o direito, antes, torná-lo real e garantido para todos.

Água doce é mais que recurso hídrico. É vida com todas as suas ressonâncias simbólicas de fecundidade, renascimento e purificação. Isso tem imenso valor, mas não tem preço. Se houver cuidado ela será abundante para todos

fonte: http://www.recicloteca.org.br/agua/boff.htm

domingo, 19 de outubro de 2008

Serra e a blindagem da TV Globo

Tenho pensado na "guerra enre as polícias" ocorrida nesta semana, em São Paulo. Procurava, então, um texto que discursasse sobre o tratamento dado às manifestações e greves, neste estado. Encontrei o texto a seguir, que trata de uma questão prévia às soluções dadas a estas ações: a manipulação na cabeça do povo. O texto a seguir é ótimo, mas voltemos ao meu raciocínio. Não achei nada espantoso o confronto que ocorreu. Mesmo porque já participei de várias manifestações que tiveram aquele final trágico. Só que o resultado foi um pouco mais trágico que o habitual por um motivo: houve possibilidade de e uma real reação por parte dos manifestantes. É fácil chamar a Choque para Sem-terra, estudantes e professores, não é? Tratá-los como qualquer coisa, batendo, chutando, jogando bombas com vários efeitos, vale, é bem mais fácil. Agora, vai fazer isso com uns caras daquele tamanho, com tantos armamentos quanto a PM e que conhecem e praticam as mesmas táticas. Aí, é mais difícil, não é? Pois é, mas é assim que o estado trata qualquer um que queira reivindicar seus direitos ou uma melhoria na condição de vida/trabalho. Seja ele um policial ou um professor. E a imprensa, só para variar, ratifica esse ódio aos que reivindicam. Só para os outros, os homens de bem, não fazerem o mesmo.

Serra e a blindagem da TV Globo

O que Perseu Abramo destacou como “padrões de ocultação", fragmentação" e "inversão" foram a tônica de um noticiário mais empenhado em evitar desgaste de Serra na véspera do segundo turno das eleições municipais do que explicar os motivos que levaram a barbárie a tomar as ruas paulistanas.

A cobertura dada pela TV Globo ao confronto entre policiais civis e militares, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, foi um show de culinária. Não bastasse o silêncio durante a tarde, a edição de 16/10 do Jornal Nacional se esmerou em cozinhar textos de uma só fonte para oferecer um produto pouco informativo, incompleto e sem qualquer rigor na apuração. Entende-se. A correta contextualização dos fatos poderia arranhar a imagem do governador José Serra. E de um modo de governar que tem na incapacidade de negociação o DNA tucano. O interessante é que não estamos diante de um caso isolado ou de falha provocada por profissionais inexperientes e/ou incompetentes. Muito pelo contrário. Mais uma vez, a emissora da família Marinho, reuniu a nata da casa, para subordinar o exercício do bom jornalismo, e as responsabilidades a ele inerentes, ao projeto eleitoral do consórcio PSDB/DEM. As imagens de um conflito em que foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo, munição convencional e de borracha foram ao ar acompanhadas do texto que melhor convinha ao "padrão Globo" de divulgação de notícias. Para o telespectador, a intransigência tinha um só lado: policiais, sindicalistas e partidos políticos, com destaque para o PT, é claro. Não havia greve que se arrasta há um mês e muito menos uma categoria que tem a média salarial mais baixa que o piso de 11 estados. A registrar, uma disfuncão, nada mais. O que Perseu Abramo destacou como “padrões de ocultação", fragmentação" e "inversão" foram a tônica de um noticiário mais empenhado em evitar desgaste de Serra na véspera do segundo turno das eleições municipais do que explicar os motivos que levaram a barbárie a tomar as ruas paulistanas. Microfones abertos para o principal personagem a ser blindado e sua versão pautou a cobertura. O relato da emissora serviu como narrativa de corroboração “O governador José Serra disse que o protesto foi feito por uma minoria e que é ilegal. “Essa manifestação reuniu, no máximo, 1.000, 1.200 pessoas. A Polícia Civil tem 35 mil efetivos. Trata-se, portanto, de uma minoria. Muitos dos participantes não são da polícia, são de outros sindicatos, da CUT e da Força Sindical. Há partidos políticos por trás”. Serra também criticou o uso de armas pelos manifestantes. “Armas são entregues às polícias para defenderem o povo contra os criminosos. Não para servirem a movimentos políticos reivindicatórios. Reivindicação se faz na mesa conversando, não com violência. Isso nós não aceitamos”. E se tivesse havido diálogo, a crise teria chegado a esse ponto? Confronto entre policiais não aponta para crise institucional? Será isso o que estamos vivendo no Estado mais rico do país? Onde ocorreu embates envolvendo forças de segurança antes? Em Belo Horizonte, há 11 anos. A que partido pertencia o então governador de Minas, Eduardo Azeredo? São questões por demais delicadas para que o jornalismo global possa fazer qualquer aprofundamento. Mas o "melhor", em matéria de manipulação, estava guardado para o dia seguinte. Na edição de 17/10 do Bom Dia Brasil. Com ar contrito, o jornalista Renato Machado anunciou que "A população de São Paulo assistiu atônita a mais um exemplo da crise que assola a segurança pública no Brasil”. A nacionalização do conflito esclarece o planejamento da agenda. Como no Brasil? É em São Paulo, e sob as ordens de um governador do PSDB, que polícia atira em polícia. Essa é uma anomia exclusivamente tucana. O ato falho talvez tenha revelado o que a emissora antecipa para 2010.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa

domingo, 7 de setembro de 2008

Fora da Velha Ordem - Carta Escola

Preciso que meus alunos de sétima-série leiam um pouco sobre os confitos causados na busca ao petróleo, para fazerem uma redação de conclusão sobre o consumo de petróleo no mundo. Assim, após mapearem esse consumo, deverão ler o texto a seguir e fazer uma redação.
O texto saiu na revista Carta Escola de agosto. Esta revista disponibiliza textos no seu site para que nós, professores, possamos usá-los com os alunos. Porém, justamente esse texto não encontra-se no mesmo. Por isso, anexarei o artigo a seguir. O subtítulo mais importante do artigo, que trata de conflitos em busca de petróleo é o "Todos Querem Energia". É só clicar nas imagens para lê-las! Quem não conseguir encaixá-las em uma folha para imprimir, me manda um e-mail pedindo as imagens num documento só, em pdf. Meu e-mail é: primerhy@gmail.com beijinhos, boa sorte, e té mais!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Auto-Estima do Professor

(Um testinho simples, mas que refelete a situação a que estamos sujeitos.)

A escola e os educadores precisam de mais respeito

Imagem-de-professora-idosa-junto-com-aluno

Sabe-se que a atenção dada pelo professor ao aluno é fundamental para que o rendimento escolar e a própria auto-estima do estudante sejam melhoradas. Há muitas histórias de crianças, adolescentes ou jovens que se sentiam incompreendidos pelos pais ou até mesmo pela própria sociedade que tiveram na figura do professor um alento para suas vidas e futuros.

Li recentemente num livro que a simples preocupação demonstrada por parte dos patrões em relação aos funcionários de suas empresas pode redundar em ganhos de produtividade, melhorar os relacionamentos dentro da firma e promover um ganho real no quesito lucratividade.

É notório que quando há diálogo, compreensão e disposição para a cooperação entre as pessoas que vivem ou trabalham num mesmo local se estabelece uma clara tendência a uma melhor qualidade de vida. São também vários os casos registrados de empresas que para agradar seus funcionários lhes concedem certas regalias, como horários mais flexíveis, permissão para o uso de roupas mais confortáveis, escolas para os filhos próximas ao local de trabalho, hora de almoço mais longa,...

Todos esses exemplos anteriormente mencionados servem para registrar o quanto é importante, senão imprescindível, para os seres humanos a atenção e o reconhecimento. Professores não são diferentes, pelo contrário, atualmente se mostram muito carentes e se sentem um tanto quanto abandonados. São portadores de uma missão fundamental para a estruturação da sociedade e sabem disso, no entanto, não percebem por parte das comunidades que servem o devido respeito pelo seu trabalho.

Imagem-de-crianças-e-professora-juntos Professores motivados renovam suas práticas, investem tempo em novos estudos, promovem uma melhor socialização entre os estudantes e tornam a escola muito mais interessante e rica para os estudantes.

É claro que não estou falando que a resposta social ao trabalho educacional tem sido agressiva ou mesmo negativa. Tanto os pais de alunos quanto os demais membros da sociedade reconhecem a necessidade da educação e entendem que o futuro de seus filhos e também do país passa pelas salas de aulas de nossas escolas.

Há, entretanto, um diferencial no que se refere ao trabalho executado pelos professores quando se comparam suas funções e atribuições ao exercício profissional de médicos, engenheiros ou advogados, por exemplo. Não é comum que uma pessoa entre no consultório de um pediatra e, sem qualquer conhecimento médico, opine ou ainda se oponha abertamente as orientações dadas por um profissional da área.

Também não vemos as pessoas interferindo nas decisões e encaminhamentos tomados por um advogado ao longo de um processo criminal. Se qualquer cidadão tentasse, por conta própria, construir um prédio sem os devidos conhecimentos técnicos da área tão caros a engenheiros ou arquitetos o que poderia acontecer? Já imaginaram?

Em educação também há conhecimentos específicos, que são atualizados constantemente, que depreendem a prática exercida diariamente e o enfrentamento das situações do cotidiano, porém, os pais acham que entendem tanto (ou mais) de educação do que os próprios pedagogos, especialistas nas disciplinas, orientadores educacionais ou diretores das escolas...

A freqüência à escola é uma característica da vida da maioria dos brasileiros, isso é fato, felizmente. Por esse motivo qualquer cidadão desse país pensa entender de educação como os profissionais que atuam na área e que estão a todo o momento envolvidos com os problemas, as novidades pedagógicas, as novas tecnologias incorporadas ao cotidiano da escola, as tendências filosóficas mais contemporâneas, as metodologias mais eficientes.

Imagem-de-professora-escrevendo-na-lousa Os estudantes precisam de apoio tanto dos professores quanto de seus pais para obter melhores resultados na escola. Aos pais compete acompanhar o trabalho da escola e orientar com freqüência os estudos de seus filhos. Atitudes como essas auxiliam muito o trabalho dos professores.

Do mesmo modo como advogados, médicos ou arquitetos se sentem ofendidos quando tem seu trabalho questionado por leigos, também os professores demonstram sua evidente insatisfação por posicionamentos dos pais que demonstram o não conhecimento das novas possibilidades didáticas relativas ao trabalho em sala de aula.

Para piorar a situação é praticamente regra que os pais visitem as escolas apenas em momentos críticos da vida educacional de seus filhos. O mais usual é que isso aconteça ao final dos bimestres, com a realização das reuniões de fechamento de um ciclo de estudos e avaliações. Invariavelmente isso acarreta encontros que são marcados por críticas e mais críticas ao trabalho dos professores, poucos são os pais que se dispõem realmente a dialogar e conjuntamente descobrir as dificuldades e problemas gerais do processo de ensino-aprendizagem.

Não estou dizendo com isso que não há erros e desacertos por parte dos educadores. Todos sabem que ainda existem muitos problemas a serem solucionados na educação brasileira. O que não pode acontecer é a crucificação do trabalho educacional sem uma avaliação isenta que permita perceber que há acertos a serem feitos tanto pelos professores e demais profissionais de uma escola quanto pelos alunos e por sua família.

Os professores precisam da compreensão da sociedade e, especialmente, do apoio dos pais de seus alunos. Necessitam frequentemente de estímulo da direção da escola. Tem que ter incentivo para estudar, aperfeiçoar ainda mais seus conhecimentos. Devem ingressar na era da informática e adequar suas aulas ao uso das Tecnologias de Informação e Conhecimento (TICs) ao mesmo tempo em que inovem no cotidiano de seu trabalho educacional.

Imagem-de-alunos-com-as-mãos-erguidas Alunos motivados dependem de um professor que esteja com auto-estima elevada. Para tanto é necessário que seu trabalho seja incentivado e renovado com o apoio da comunidade e da direção da escola.

É claro que isso exige tempo, investimento, mudança de paradigmas e revisão de posturas sociais arraigadas já há muito tempo. Tanto por parte dos professores como de toda a sociedade. Sabemos também que avanços já estão acontecendo de forma isolada, através de experiências realizadas em unidades educacionais privadas ou públicas. Isso já é um alento.

Essas experiências e também os conhecimentos que estão sendo gestados e produzidos nas universidades devem, no entanto, ser socializados mais rapidamente do que são atualmente. Há trabalhos que se forem incorporados ao cotidiano escolar das redes públicas ou privadas podem solucionar problemas crônicos das escolas e ajudar a recuperar a auto-estima dos professores.

Não conheço educadores que saiam de casa com a deliberada intenção de dar aulas ruins. Sei de pessoas que têm dificuldades por que não puderam se aperfeiçoar, estudar mais. Também já estive em contato com professores que se desiludiram, pois as mudanças e transformações que lhes foram prometidas não ocorreram ou acontecem a um ritmo extremamente lento.

Há também os casos, que são numerosos, de professores que se sentem desestimulados justamente porque não tem o devido respeito por sua dignidade profissional, empenho pessoal e vontade de mudar. Em todos esses casos a auto-estima dos educadores vai lá para baixo e, como conseqüência disso, suas aulas são muito inferiores ao que realmente poderiam ser.

Trate o professor de seu filho com respeito. Dê a ele a devida consideração por seu trabalho. Escute suas ponderações e depois, educadamente, apresente suas dúvidas e questionamentos. Cobre a escola e a rede a qual ela pertence por maiores investimentos na formação desses professores. Elogie as iniciativas bem sucedidas, isso pode estimular esses profissionais da educação a melhorarem ainda mais suas práticas de ensino. A educação e os seus trabalhadores agradecem essa compreensão e se comprometem a fazer sempre o melhor pelos estudantes e também em prol do país...

fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=491

terça-feira, 15 de julho de 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Falta de Educação

Ai, ai. Quanto tempo não escrevo... a vida anda MUITO corrida. Trabalhando demais. Demais é pouco com relação ao que eu ganho. Tô na educação do Estado, para os que não me conhecem ou para os que não estão tão próximos... e a vida nesse trabalho não é fácil. Ariisco dizer que é quase impossível você sobreviver, lúcida, até o final da carreira. O abandono à educação, à escola, é total, a insituição está falida e sem base alguma. Um professor da FE (Faculdade de educação da USP) costuma dizer que a escola, do jeito que é concebida, não dá mais certo. E eu estou vendo isso na pele. A escola do jeito que é só funciona num regime ditatorial, numa relação de dominante - professor - e dominado - aluno. O conceito está errado e, enquanto não mudar, a coisa só tende a afundar mais. Conclusão: você, professor, tem que ser um carrasco, por que, se não o for, fica difícil controlar a galerinha. Parece que eles não entendem conversa! (e não devem entender mesmo; em casa, quando alguém fala com eles é nos berros e, na escola, também. Aí, cria o círculo vicioso). Mas a escola, desse jeito, não produz cabeças pensantes e possíveis transformadores da sua realidade. Formamos fantoches, cada vez mais. E os formamos até mesmo para sobrevivermos em sala. Ai, complicado. Complicadíssimo. Aí, para resolver, o Governo do Estado de São Paulo implanta novidades. Caderninhos com toda matéria e metodologia para que possamos aplicar (possamos não, para que apliquemos). Pronto, problema resolvido, disse o SPTV! Só esqueceram de dizer que falta verba e material para o aluno. Mas isso é "só" um detalhe. Sou obrigada a dizer que o material realmente é bom. O meu, claro por que, para trabalhar com os anjinhos, é bem difícil. Digo trabalhar o conteúdo, por que, para todos te ouvirem, só com Jesus ao seu lado. A garotada não sabe ler um gráfico, interpretar um texto. É uma lástima. Aí, vem a nova proposta, dizendo: "Professores, suas antas, a educação está asim por causa de vocês. Por isso, vocês vão trabalhar como "nós" queremos. Se vocês são tão incapazes e incompetentes, daremos a salvação da lavoura - a nova proposta." Aposto que você ouviu o "tcharam" e algumas estrelinhas quando leu esta frase. Para responder a essas constantes constatações por parte dos nossos superiores - da nossa incompetência -, recebo essa carta, por e-mail, de uma supervisora do ensino do Estado. Simplesmente ma-ra-vi-lho-sa!
"Carta de supervisora à Secretária de Educação-SP
Senhora Secretária,
Quero aqui expressar, com todo o respeito, a opinião de uma profissional que pensa que a educação pública de boa qualidade é fundamental para o desenvolvimento do país e que, por isto mesmo, tem orgulho de pertencer ao Quadro do Magistério Estadual Paulista. Tenho 15 anos de trabalho na Escola Pública de São Paulo, 11 dos quais em sala de aula e os últimos 04 na Supervisão de Ensino. Tenho lido com muita apreensão algumas matérias que saem nos jornais e na Revista 'Veja' que, a meu ver, têm colocado a maior parte da responsabilidade dos males da educação nos professores e gestores escolares, sem, contudo, fazer uma reflexão mais profunda sobre esta situação.
Concordo que há um número grande de professores sem condição para assumir uma sala de aula. Mas há que se perguntar: por que isto acontece? Se a justificativa do fracasso da educação está neste fato, por que aceitar professores tão mal formados? É triste pensar que boa parte dos professores é formada em cursos que não preenchem os mínimos requisitos para formar bons professores. Não posso deixar de pensar que isto parece uma política muito bem pensada. Professores mal formados formam mal seus alunos e, por isto mesmo, não têm o direito de receber salários dignos de um bom profissional. Os bons profissionais acabam abandonando a carreira, pois não são valorizados tanto financeiramente, como do ponto de vista social. Nem o Estado, nem a sociedade respeitam estes profissionais. E como resgatar o respeito perdido perante a sociedade, se toda campanha que o governo e a mídia em geral fazem por uma educação de qualidade, é uma campanha contra os professores, sempre apontados como os grandes culpados pela situação da escola pública?
No entanto, quando alguns de nós afirmamos que é preciso fiscalizar, com mais firmeza, os cursos para que passem a formar professores competentes, lá vem aquela 'baboseira ideológica' (me desculpe por emprestar sua expressão) de que somos um bando de castristas autoritários. Ninguém reclama quando a vigilância sanitária fecha um estabelecimento que não segue as mínimas regras - afinal é uma questão de saúde pública. Mas quando falamos da necessidade de fiscalizar as instituições de ensino superior e tomar atitudes firmes contra aquelas que formam mal, é uma gritaria geral. Em uma entrevista à 'Veja' a senhora afirma que 'num mundo ideal' fecharia as faculdades de pedagogia porque seus cursos são 'exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas e suas reais demandas' (Veja, 13/02/2008). Na verdade, senhora secretária, uma boa parte dos cursos são vagos mesmo e os alunos não tem aulas de tipo algum, sejam teóricas, sejam práticas.
Penso que qualquer reforma no ensino básico será infrutífera se não acompanhada de uma reforma profunda nos cursos que formam professores. Outra questão reside nas condições de trabalho. Muito tem se falado no exemplo finlandês, especialmente em matérias da 'Veja'. Convenhamos, nenhuma delas explica muito bem a situação dos professores finlandeses, tão citados como exemplares. Matéria do 'Washington Post', disponível na Internet (washingtonpost.com , acesso em fevereiro de 2007) e intitulada 'Focus on Schools Helps Finns Build a Showcase Nation', nos fornece dados que possibilitam ver as diferenças entre as condições de trabalho dos professores daqui e da Finlândia. Neste país, a profissão é valorizada, os professores são respeitados pela sociedade e se orgulham de sua profissão. Quase todos são mestres, no mínimo. Será que se formam em cursos vagos, de fim de semana? Cursos reconhecidos pelo Governo e que cresceram exponencialmente a partir dos anos 90? Aqui em São Paulo, até mesmo o programa 'Bolsa Mestrado' foi suspenso pelo governador José Serra.
Na Finlândia, os professores não são horistas; são contratados para trabalhar em uma única escola; têm dedicação exclusiva, tendo tempo para desenvolver projetos que favoreçam a aprendizagem. Enfim, são professores-pesquisadores, com condições para tal. Aqui, senhora secretária, professor da escola pública é horista e dá até vergonha de dizer quanto vale a hora / aula de um professor. Para compor o salário os OFAs se deslocam de uma escola para outra para completar a carga horária. Muitos efetivos de cargo, para aumentar a renda, acabam acumulando cargo no próprio Estado ou no Município. Isto sem falar naqueles que também atuam em escolas particulares. Em relação a esta questão, outra matéria 'vejiana' afirma que salário não tem relação com qualidade de ensino. Citando a Finlândia, afirma que lá os professores ganham quase o mesmo que a média do salário nacional, enquanto os professores daqui ganham cerca de 50% a mais. Ora, eu gostaria de ganhar um salário igual ao da média nacional, desde que a nossa média nacional fosse igual à da Finlândia. Como os professores de lá, com certeza eu não reclamaria. Como diversos estudos mostram, números são interpretados em função de nossas intenções e visões de mundo. Como educadora e com uma visão diferente da 'vejiana', penso que devemos lutar por um futuro em que a média dos salários daqui possa se comparar à de países que oferecem uma vida mais digna aos seus cidadãos. Aliás, é interessante observar que matéria da própria 'Veja' (Veja São Paulo, de 16/04/2008), mostra que salário tem sim relação com a qualidade de ensino. A matéria nos informa que a média dos salários dos professores das 10 melhores escolas no ENEM 2007 é de R$ 6.000,00. Há professores que recebem mais de R$ 9.000,00. São professores bem formados, valorizados e com dedicação exclusiva. Sei das dificuldades de se arcar com custos de salários tão altos para os professores das escolas
públicas, mas dizer que ganhamos bem e que reclamamos à toa beira é brincadeira de mau gosto, para não dizer que parece um discurso ensaiado e de má fé. Voltando à Finlândia, lá o sistema é 'rich in staff', como é afirmado na matéria do 'Washington Post'. Há funcionários, psicólogos e especialistas em crianças com necessidades especiais. Já aqui... Lá o sistema seleciona os melhores professores, pois os valoriza. Aqui o sistema contrata professores mal formados exatamente porque não os valoriza. Só quando os professores forem profissionais bem formados, receberem salários dignos de sua profissão e forem respeitados enquanto profissionais é que o Estado terá condições de exigir resultados. Aí sim poderá avaliar e até mesmo criar mecanismos para excluir aqueles professores que não tenham compromisso em sua profissão, tal como na Finlândia ou nas escolas particulares. Do contrário, as avaliações só continuarão a mostrar o fracasso do sistema. Penso ser urgente pensar nestas questões, pois não adianta cobrar melhora nos resultados de aprendizagem se não há um sistema de contratação de profissionais bem formados, sejam professores, sejam gestores. Concordo que o problema da má qualidade de ensino não se resolverá apenas com aumento de salário dos professores. Mas os profissionais da educação pública precisam ter seus salários revistos.
Repito: sei das dificuldades de o Estado arcar com uma folha de pagamento alta como das escolas particulares, mas nosso salário está vergonhoso e não acredito que o governo do Estado mais rico da federação não poderia oferecer um pouco mais. Há também outros problemas que precisam ser enfrentados, de fato. Acho no mínimo preocupante quando a senhora afirma, em uma das reportagens (Folha de São Paulo, 25/02/2008), quando questionada sobre as 'falhas dos governos tucanos' (Covas, Alckmin), que prefere dizer que os problemas atuais são estruturais. Não são falhas de um governo que está aí há anos, não é questão de incompetência. São questões estruturais. No entanto, quando dizemos que muitos dos problemas da escola pública são estruturais (salários baixos, lotação, prédios horrorosos, lousas caindo aos pedaços, falta de laboratórios, violência, indisciplina, etc.) ouvimos que isto é reclamação sem fundamento; que é só saber bem o conteúdo e boas técnicas didático-metodológicas que tudo se resolveria (isto fica bem claro quando lemos o 'Caderno do Gestor' que acompanha a nova 'Proposta Curricular'). Mas quando questionada em uma das reportagens sobre as condições das escolas, a senhora diz que o governo faz o que pode, manda verbas, mas à noite a escola é invadida e roubam os fios. Isto não é contraditório? O governo tem desculpas, não é sua culpa, é da estrutura e dos vândalos que invadem a escola. Agora, quando um professor tem que enfrentar uma classe lotada, sem a mínima estrutura ele tem que se virar.
Não tem desculpas... Em outras palavras: todas as falhas dos governos passados não são falhas ou questão de incompetência, são problemas de estrutura. Mas quando os professores dizem que a estrutura atual do sistema de ensino contribui muito para o fracasso escolar, o governo diz que isto é desculpa, que é 'baboseira ideológica', e que basta ser competente e saber o conteúdo que tudo se resolverá. Voltando à tão citada Finlândia, fica claro que lá os professores são competentes, como se afirma, porque bem formados, valorizados e com condições estruturais bem melhores que as que temos no Estado de São Paulo. Portanto, falar em qualidade em salas lotadas, sem condições estruturais satisfatórias e sem professores bem formados (bem diferente do tão falado sistema finlandês), é falar para 'inglês ouvir'. Em suma, uma educação de qualidade reside no tripé salários dignos, condições de trabalho e compromisso profissional. Só quando o Estado pagar salários dignos e fornecer condições para os professores e gestores desenvolverem seu trabalho, poderá selecionar os melhores e até mesmo criar formas de excluir aqueles que não tenham compromisso. Em tempo, senhora secretária: fiz mestrado e doutorado e não ganho o salário que estão dizendo por aí que eu ganho. Muitos de meus colegas me perguntam por que ainda estou na educação pública ganhando um salário tão baixo que não condiz com a minha formação.
Respondo que escolhi isto por acreditar que estou exercendo uma profissão chave para um país que deseja um futuro mais digno; que ainda acredito na educação e que, sim, tenho um compromisso ideológico com a escola pública.
Mas a seguir sua visão e a visão 'vejiana' de educação, senhora secretária, isto deve ser mais uma das minhas 'baboseiras ideológicas'.
Profª Drª Clarete - Supervisora de Ensino

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Bairros mais ricos de SP têm até quatro vezes mais investimento que os mais pobres, diz estudo

Da Redação do site da uol Em São Paulo Uma pesquisa realizada pela ONG Movimento Nossa São Paulo e divulgada nesta quinta-feira (24) traduz em números a desigualdade econômica e social entre as diferentes regiões da capital paulista. O estudo, feito com dados oficiais, fornecidos pela Prefeitura de São Paulo, revela que enquanto bairros de classe média como os de Pinheiros e Jardins têm serviços de saúde, educação e cultura semelhantes aos de países desenvolvidos, bairros da periferia da capital apresentam total carência de serviços essenciais. O estudo revela quanto a Prefeitura efetivamente investe em cada uma das 31 subprefeituras da cidade. Ao analisar o orçamento de cada subprefeitura em 2006 e dividi-lo pelo número de habitantes atendidos, a ONG conseguiu detectar que o volume de recursos que chega aos bairros ricos é em média 4 vezes maior que chega aos bairros pobres. No período analisado, as três subprefeituras com maior orçamento per capita foram Pinheiros (R$ 126,59), Sé (R$ 123,22) e Santo Amaro (R$ 120,87). No outro extremo, as de menor investimento foram as de Capela do Socorro (R$ 31,43), M'Boi Mirim (R$ 35,60) e Cidade Ademar (R$ 44,66) De acordo com Maurício Broinizi Pereira, coordenador-executivo do Movimento Nossa São Paulo, o volume de recursos repassados pela Prefeitura às subprefeituras é desproporcional ao tamanho dos bairros e de sua população. "A maior parte dos investimentos se concentra em bairros de classe média alta, que concentram uma elite com capacidade de pressão política", afirma. Um exemplo: a verba destinada à região da subprefeitura de Pinheiros (Pinheiros, Jardim Paulista, Alto de Pinheiros e Itaim Bibi), com 245 mil habitantes divididos por 32 km2, foi quatro vezes maior do que o total destinado à Capela do Socorro (Socorro, Cidade Dutra e Grajaú), que tem 645 mil habitantes em uma área de 134 km2. Além da desigualdade de investimentos, a pesquisa revelou a desvantagem dos bairros de periferia com relação a acesso a saúde, educação, esporte, cultura e lazer. Comparando o número de hospitais existentes em toda São Paulo, o estudo constatou que a cidade tem em média 2,84 leitos hospitalares para cada 100 mil habitantes. Os bairros melhor assistidos são os da região da Sé (18,64 leitos para cada 100 mil habitantes), da Vila Mariana (16) e de Pinheiros (12,53). Os pior assistidos são os de Campo Limpo (0,02 leitos para cada 100 mil habitantes) e Aricanduva e Freguesia do Ó/Brasilândia (0,47 cada). E há regiões que não contam com um leito sequer: Cidade Ademar, Cidade Tiradentes, Parelheiros e Perus. Quanto acesso à educação, a desigualdade mais evidente está no número de horas de aula oferecidas a estudantes de bairros pobres e ricos. Na periferia, para atender a um número maior de alunos, as escolas municipais de Ensino Fundamental têm aulas divididas em três turnos de quatro horas - o intermediário, das 11h às 15h, é conhecido como 'o turno da fome'. Em Cidade Tiradentes, por exemplo, 69% das escolas seguem esse sistema. Em Campo Limpo, 51%. Já em Pinheiros e na Sé, todas as escolas têm apenas dois turnos, de seis horas cada. Segundo os organizadores do estudo, a falta de serviços públicos essenciais é determinante para o agravamento de problemas sociais na periferia. "As subprefeituras com menor grau de investimento público são as que têm os piores indicadores de criminalidade juvenil", diz Pereira. A partir de dados do Pro-Aim (Programa de Aprimoramento de Dados sobre a Mortalidade no Município de São Paulo), o Movimento Nossa São Paulo fez uma análise do número de homicídios de jovens do sexo masculino de 15 a 29 anos em toda a cidade de São Paulo. Segundo essa análise, as regiões com menor número de mortes violentas são as das subprefeituras de Vila Mariana (10,19 para cada 100 mil habitantes), Pinheiros (12,85) e Lapa (18,12). As regiões com maior número são: Casa Verde/Cachoeirinha (174,92), Freguesia do Ó/Brasilândia (143,44) e M'Boi Mirim (129,69). "Ou seja, enquanto os bairros mais ricos de São Paulo apresentam índices de mortes violentas semelhantes ao de países desenvolvidos, os mais pobres da periferia apresentam taxas semelhantes às de países em guerra", diz Pereira. De posse desses dados, a ONG espera convencer a população a pressionar a Prefeitura para que ela atenda de forma mais equânime os 96 distritos da cidade. De acordo com os organizadores, o estudo poderia servir para nortear os postulantes ao cargo de prefeito e às 55 vagas na Câmara Municipal a montarem programas que atendam às reais necessidades de cada bairro. A íntegra da pesquisa pode ser acessada no site do Movimento Nossa São Paulo.

domingo, 20 de abril de 2008

Agrocombustíveis e produção de alimentos

ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA* E as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cana-de-açúcar nos últimos 15 anos, quais são? A RELAÇÃO entre a expansão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos ganhou a agenda política internacional. A agricultura mundial continua passando por transformações profundas. O avanço da "comoditização" dos alimentos e do controle genético das sementes que sempre foram patrimônio da humanidade foi acelerado. Dois processos monopolistas comandam a produção agrícola mundial. De um lado, está a territorialização dos monopólios, que atuam simultaneamente no controle da propriedade privada da terra, do processo produtivo no campo e do processamento industrial da produção agropecuária. O principal exemplo é o setor sucroalcooleiro. De outro lado, está a monopolização do território pelas empresas de comercialização e processamento industrial da produção agropecuária, que, sem produzir absolutamente nada no campo, controlam, por meio de mecanismos de sujeição, camponeses e capitalistas produtores do campo. As empresas monopolistas do setor de grãos atuam como "players" no mercado futuro das Bolsas de mercadorias do mundo e, muitas vezes, têm também o controle igualmente monopolista da produção dos agrotóxicos e dos fertilizantes. A crise, portanto, tem dois fundamentos. O primeiro, de reflexo mais limitado, refere-se à alta dos preços internacionais do petróleo e, conseqüentemente, à elevação dos custos dos fertilizantes e agrotóxicos. O segundo é conseqüência do aumento do consumo, mas não do consumo direto como alimento, como quer fazer crer o governo brasileiro, mas, isto sim, daquele decorrente da opção dos Estados Unidos pela produção do etanol a partir do milho. Esse caminho levou à redução dos estoques internacionais desse cereal e à elevação de seus preços e dos preços de outros grãos – trigo, arroz, soja. Assim, a "solução" norte-americana contra o aquecimento global se tornou o paraíso dos ganhos fáceis dos "players" dos monopólios internacionais que nada produzem, mas que sujeitam produtores e consumidores à sua lógica de acumulação. Certamente, não há caminho de volta para a crise, pois, no caso norte-americano, os solos disponíveis para o cultivo são disputados entre trigo, milho e soja. O avanço de um se reflete inevitavelmente no recuo dos outros. Daí a crítica radical de Jean Ziegler, da ONU (Organização das Nações Unidas), que classificou o etanol como "crime contra a humanidade". É no interior dessa crise que o agronegócio do agrocombustível brasileiro quer pegar carona no futuro fundado na reprodução do passado. O governo está pavimentando o caminho. Por isso, a questão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos rebatem diretamente no campo brasileiro. A área plantada de cana-de-açúcar na última safra chegou perto de 7 milhões de hectares e, em São Paulo, onde se concentra mais de 50% do total, já ocupa a quase totalidade dos solos mais férteis existentes. Em meio à expansão dos agrocombustíveis, uma pergunta se faz necessária: quais foram as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cultura da cana nos últimos 15 anos? Os dados do IBGE, entre 1990 e 2006, revelam a redução da produção dos alimentos imposta pela expansão da área plantada de cana-de-açúcar, que cresceu, nesse período, mais de 2,7 milhões de hectares. Tomando-se os municípios que tiveram a expansão de mais de 500 hectares de cana no período, verifica-se que, neles, ocorreu a redução de 261 mil hectares de feijão e 340 mil hectares de arroz. Essa área reduzida poderia produzir 400 mil toneladas de feijão, ou seja, 12% da produção nacional, e 1 milhão de toneladas de arroz, o que equivale a 9% do total do país. Além disso, reduziram-se nesses municípios a produção de 460 milhões de litros de leite e mais de 4,5 milhões de cabeças de gado bovino. Embora a expansão esteja mais concentrada em São Paulo, já o está também no Paraná, em Mato Grosso do Sul, no Triângulo Mineiro, em Goiás e em Mato Grosso. Nesses Estados, reduziu-se a área de produção de alimentos agrícolas e se deslocou a pecuária na direção da Amazônia Isso deu, conseqüentemente, em desmatamento. Por isso, a expansão dos agrocombustíveis continuará a gerar a redução da produção de alimentos. A produção dos três alimentos básicos no país -arroz, feijão e mandioca- também não cresce desde os anos 90, e o Brasil se tornou o maior país importador de trigo do mundo. Portanto, o caminho para a saída da crise e da construção de uma política de soberania alimentar continua sendo a realização de uma reforma agrária ampla, geral e massiva. *ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA, 60, é professor titular de geografia agrária da USP e diretor da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária). Integrou a equipe que elaborou a proposta do Segundo Plano Nacional de Reforma Agrária para o governo Lula (2003). (Além de ser uma das melhores, mais competentes e mais combatentes pessoas que já conheci. O "Ari", como a gente o chama(va) lá no Departamento da Geo) Fonte: Folha de S.Paulo – 17/4/08 – (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1704200809.htm)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O que é pra que serve o Estado

"O governo do estado moderno não é mais que uma junta que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa" (Manifesto Comunista, 1848) Vimos que a dependência econômica dos trabalhadores é assegurada essencialmente graças à propriedade privada da classe dominante sobre os meios de produção. No entanto, a simples dependência econômica não é suficiente para a manutenção duradoura de um modo de produção baseado na exploração. Os trabalhadores assalariados e os explorados em geral continuam sendo a imensa maioria da população, enquanto os opressores constituem uma ínfima minoria. Para que os minoritários exploradores possam manter em obediência a maioria explorada é necessário um instrumento político eficaz. E este instrumento é o Estado. A burguesia e seus ideólogos difundem largamente a concepção da neutralidade do Estado. Aprendemos na escola que o Estado se destina a salvaguardar o interesse geral da população, proteger o país, etc. Esforçam-se, assim, em fazer-nos crer que o Estado não tem nenhuma relação com a existência das classes sociais e com a luta que se trava entre elas. A concepção marxista do Estado vem sendo desenvolvida partindo exatamente da recusa da tese burguesa da neutralidade do aparelho do Estado. Lênin em "O Estado e a revolução" afirma: "O Estado, portanto, é produto e manifestação do fato das contradições de classe serem inconciliáveis. O Estado surge no momento e na medida em que, objetivamente, as contradições de classe não podem conciliar-se. E inversamente: a existência do Estado prova que as contradições de classe são inconciliáveis. (..) Segundo Marx, o Estado é um organismo de dominação de classe, um organismo de opressão de uma classe por outra; é a criação de uma "ordem" que legaliza e fortalece esta opressão ...... Em "Acerca do Estado", Lenin enfatiza: "O Estado é uma máquina para manter o domínio de uma classe sobre outra. Quando na sociedade não havia classes, quando os homens, antes da época da escravidão, trabalhavam em condições primitivas de maior igualdade, em condições de mais baixa produtividade do trabalho, quando o homem primitivo pôde conseguir com dificuldade os meios indispensáveis para a existência mais tosca e primitiva, então não surgiu, nem podia surgir, um grupo especial de pessoas diferenciadas especializadas em governar e que dominassem o resto da sociedade. " Dessas passagens podemos extrair algumas idéias essenciais: o Estado é o resultado do surgimento e desenvolvimento de classes antagônicas, é um organismo de dominação, de opressão de uma classe sobre outra; é a "criação de uma ordem que legaliza e fortalece esta opressão" (Lenin). Para que isto seja possível, o Estado reserva a uma pequena minoria certas funções que primitivamente eram exercidas por toda a sociedade; a mais importante delas é o uso de armas, e da força em geral. Pegar em armas torna-se prerrogativa de instituições como o Exército e a polícia. Outra função chave é o exercício da justiça, que passa a pertencer a juizes e a outros "especialistas". Nas sociedades primitivas cabia sempre à assembléias coletivas. A classe dominante - hoje a burguesia - controla o aparelho do Estado - Forças Armadas, administração, aparelho judiciário e todos os aparelhos ideológicos - fundamentalmente através de seu poder econômico. A classe que domina o sistema de produção (que detém os meios de produção e de troca) controla também todo o aparelho de Estado. Desta forma, o Estado é sempre uma ditadura de classe, responsável por manter a ordem estabelecida. Embora seja um aparelho de coerção violenta, o Estado também reforça e garante a estabilidade da classe dominante através de instituições que reproduzem sua ideologia, como a escola, os meios de comunicação, a Igreja ... A aceitação da exploração como natural e eterna, a aceitação passiva da divisão em classes, são idéias ostensivamente difundidas pelos aparelhos ideológicos do Estado." (Iniciação ao Marxismo - Cadernos do Marxismo Revolucionário, escrito por Francisco Cavalcante, do site do PSTU)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Leviandade é crime (caso Isabella Nardoni)

Clóvis Rossi Folha de S. Paulo, 2/04/08 Se o poder público brasileiro (no caso, o paulista) adotasse o devido rigor, puniria o delegado responsável pelo caso da menina Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos, morta no sábado, por colocar o pai como suspeito. No fundo, estamos diante de uma gênese idêntica ao escândalo da Escola Base, no qual a mídia foi crucificada, com toda a justiça. Mas faltou mais alguém na cruz: o delegado responsável pela investigação do caso. Vamos rebobinar um pouco a fita e analisar as circunstâncias em que se deu a desumana crucificação dos responsáveis pela escola, apontados como abusadores de crianças. Quem detinha, com exclusividade, todas as informações? O delegado. Ninguém mais. Quem repassou as informações aos jornalistas, coletivamente? O delegado. Aos jornalistas, restava um de dois caminhos: duvidar ou acreditar (claro que me refiro aos jornalistas de boa-fé; os que têm índole sensacionalista não precisam acreditar ou duvidar de nada para dar vazão à índole). Mais: se duvidassem e decidissem não publicar, seria preciso que todos tivessem idêntico comportamento. Um só que publicasse já estaria provocando o dano à reputação dos donos da escola. Agora é um pouco a mesma coisa. O delegado deu entrevista que a Rede Globo, pelo menos, pôs no ar (não vi outros telejornais, mas suspeito que todos o tenham feito). Adiantaria alguma coisa se a Folha, digamos, não publicasse a acusação ao pai da menina? Salvaria a face do jornal, mas não salvaria o principal, que é a reputação do pai. Nem importa, no caso, se vier a se comprovar que o pai é mesmo culpado. Não cabe ao delegado, ao menos nesta fase da investigação, dizer quem é ou não suspeito. Se o pai for de fato culpado, será punido ao fim da investigação. Se for inocente, já está punido.